Há cinco anos o designo de Deus me trouxe para este lugar até, então, desconhecido para mim, muito embora já tivesse ouvido falar dos Bairros da Orla de Vila Velha neste Estado do Espírito Santo. Estava morando e trabalhando como Vigário Paroquial na Paróquia Sangue de Cristo na Tijuca/RJ, após ter passado, também como Vigário Paroquial, anteriormente pela Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Guarapari (um ano e três meses) e Paróquia São Sebastião do Alto Guandú de Afonso Claúdio (onze meses). Cursava o Mestrado em Direito Canônico no Pontifício Instituto Superior de Direito Canônico (PISDC) da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro que é agregado a Pontifícia Universidade Gregoriana (PUG) de Roma. Foi o período de 2005 e 2006. Estava muito bem naquela Paróquia, no curso e em fase de escrever a minha Dissertação, após ter sido aprovado no exame de “Universo Iure”, em vista da obtenção do título de Mestre em Direito Canônico que me daria à oportunidade de lecionar essa matéria no Instituto de Filosofia e Teologia (IFTAV) da Arquidiocese de Vitória e de trabalhar como Juiz Eclesiástico no Tribunal Eclesiástico Interdiocesano de Vitória do Espírito Santo (TEI), onde já atuava como auditor com a nomeação do Senhor Arcebispo e a permissão prévia da Santa Sé por um período de cinco anos com o compromisso da obtenção do exigido título dentro desse período, a fim de que eu pudesse atuar como Membro Oficial do Tribunal de Justiça Eclesiástica. Interessei-me por esta área de especialização quando ainda era seminarista. O Doutorado viria, talvez, em seguida na Argentina na UCA ou em Roma na PUG... Qual seria a vontade de Deus? Como Ele encaminharia tudo?
Quase no término do segundo semestre do ano de 2006 o Senhor Arcebispo Metropolitano de Vitória Dom Luiz Mancilha Vilela, SS.CC, me chamou para uma conversa pessoal e me disse que precisava criar uma nova Paróquia na Arquidiocese, além daquelas tantas outras que ele mesmo já havia criado e empossado seus respectivos Párocos. Seria, então, na Área Pastoral de Vila Velha, desmembrando uma parte de um setor pastoral da Paróquia Nossa Senhora do Rosário dirigida pelos Frades Franciscanos (OFM) da Província da Imaculada Conceição. Após ter ouvido atentamente a manifestação de seu desejo surgido pela urgência da necessidade pastoral em vista do bem espiritual de uma parcela do povo de Deus, disse-me que eu seria o novo e o primeiro Pároco da nova Paróquia a ser por ele criada e, como estava em fase final de curso de especialização, eu deveria voltar para a Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo o mais rápido possível ao término do curso. Tentei resistir, considerando também outras realidades, pois não tinha a intenção de ser Pároco... Mas, ao final, obedeci à vontade de meu Legítimo Superior, pois acreditei que ali estava à vontade Deus. Muita coisa que envolve a criação e a instalação de uma nova Paróquia já estava encaminhada e faltava apenas acertar alguns detalhes jurídicos em âmbito canônico e secular. As outras situações já haviam sidas pontuadas e acordadas com os Frades Franciscanos (OFM). Transcorridos alguns dias fui conversar com eles, pois achei que precisava ouvi-los como amigos e irmãos. Acolheram-me muito bem, com um almoço de confraternização, melhor do que eu pensava!
Então, essa foi resumidamente a trajetória até o dia 02 de fevereiro de 2007 (numa sexta-feira) na Festa da Apresentação do Senhor ao Templo, quando na Solene Celebração Eucarística, presidida pelo Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor Arcebispo Metropolitano de Vitória do Espírito Santo Dom Luiz Mancilha Vilela, SS.CC, às 20hs foi lido o Decreto de Criação e Instalação da Paróquia São Francisco de Assis e a Nomeação de seu primeiro Pároco. A Igreja Matriz estava superlotada. Havia alguns padres concelebrantes e os demais fiéis que na expectativa recebia a nova realidade. Sem dúvida, que muitos pensamentos e sentimentos similares e antagônicos se passaram nas mentes e nos corações, na ocasião, ali presentes. Não posso deixar de frisar que foi uma belíssima e soleníssima liturgia! Muito além das expectativas e para mim extasiante por ver e sentir tudo o que estava acontecendo e já amando em Cristo a cada um que Ele, Senhor e Pastor Supremo de nossas almas, me confiava pela segura intercessão de Nossa Senhora da Penha, cuja imagem eu fui, pessoalmente pela parte da manhã daquele dia 02 de fevereiro, buscar no Convento da Penha e do Seráfico São Francisco de Assis a quem devotamente chamo de “Santo da Paz e do Bem” dado como Padroeiro e Protetor da recém-criada Paróquia. Ali eu estava de corpo e alma e não podia ainda imaginar que esta linda expressão da Igreja se tornaria pouco a pouco o meu “claustro”, enlaçando-me como que num matrimônio bem disposto a dar há seu tempo os seus frutos como dons de Deus que no amor gera a vida. Não se trata de um projeto de cunho pessoal, mas sim de uma expressão de um grande amor a Deus e a Igreja Católica. Lembro-me, ainda, de uma expressão que falei no discurso ao final da Santa Missa, quando o Senhor Arcebispo me concedeu a palavra: “meus queridos paroquianos, os que quiserem caminhar comigo na fé, estejam dispostos a amar a Deus e sejam verdadeiramente apaixonados pelo seu Reino”. Esta premissa inicial é verdadeira, se confirma e se atualiza a cada dia, pois a Paróquia São Francisco de Assis é aberta a toda pessoa que acolhe o Cristo Senhor. Deus é muito misericordioso e bom, pois me permitiu estar aqui como o Pastor próprio da Paróquia, consegui a obtenção do título de Mestre em Direito Canônico, de ser nomeado juiz do Tribunal eclesiástico Interdiocesano de Vitória, de ser agregado ao corpo docente do IFTAV e ainda me deu outras atividades... E muitas pessoas poderiam dar seu testemunho!
Gostaria de ter aqui muitas páginas a meu dispor para poder descrever com detalhes esses cinco anos de história paroquial e as bênçãos de Deus Pai que em seu Filho Jesus no poder do Espírito Santo já derramou e continua derramando sobre este lugar, chamado a florescer como um “Jardim do Amor Misericordioso”. Claro que as dificuldades também existiram e existem e estão muito próximas de nós. Mas, por ora elas não vão ocupar as linhas deste artigo, que é, na verdade, uma parte de um grande testemunho de um Pároco que apenas quer dizer que “Trabalhar aqui é uma benção de Deus!” Esta é uma frase curta, mas se eu fosse fazer uma análise e uma reflexão de cada palavra que forma essa frase, meu Deus, daria outra matéria!
Agradeço de coração a colaboração e a participação de todos na vida das comunidades que compõem a Paróquia São Francisco de Assis e continuo suplicando a cada paroquiano a disposição para amar a Deus, pois “é preciso amar o Amor” como nos ensina São Francisco de Assis, e a paixão pelo seu Reino que começa entre nós e se consumará na eternidade. Ainda, não é o bastante tudo o que como Comunidade de Fé e de Amor já realizamos. Avante vamos, existem desafios, temos trabalho pela frente para a honra de Deus. Que nessa empreitada interceda por nós a Virgem Maria, o Seráfico São Francisco de Assis e Santa Clara e que Deus nos conceda a graça de uma conversão diária, sincera e santificante. Parabéns querida Paróquia, pois 2012 celebramos o seu 5º Aniversário! Forte abraço,com a minha benção, extensiva a cada família.
Em Jesus e Maria para amar e servir!
Pe. Hiller Stefanon Sezini - Pároco





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