Inferno, Purgatório e Céu

A Igreja nos ensina sobre as realidades após a nossa morte, trazendo a luz da Palavra de Deus que nos orienta e ajuda a não errar o caminho para nossa eterna felicidade.

Logo no início do mês de novembro comemoramos a memória dos fiéis defuntos e também de todos os santos e santas que já participam da glória eterna do Nosso Senhor e Rei Jesus Cristo.

Tudo isso nos leva a meditar sobre nosso futuro certo, quando prestaremos contas a Deus de nossas escolhas.

A Igreja nos ensina sobre as realidades após a nossa morte, trazendo a luz da Palavra de Deus que nos orienta e ajuda a não errar o caminho para nossa eterna felicidade.

Vamos meditar então sobre os Novíssimos do homem: Inferno, Purgatório e Céu.

O Inferno

“O Filho do homem enviará os seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que faz cair no pecado e todos os que praticam o mal. Eles os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes.” (Mt 13,41-42)

Jesus no anúncio do Reino nunca escondeu o destino dos maus e ímpios que seria o inferno.

Ele “nos fala muitas vezes da “Geena”, do “fogo que não se apaga”, e no qual se pode perder ao mesmo tempo a alma e o corpo. Jesus anuncia em termos graves que “enviará seus anjos, e eles erradicarão de seu Reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade, e os lançarão na fornalha ardente” (Mt 13,41-42), e que pronunciar a condenação: “Afastai-vos de mim malditos, para o fogo eterno!” (Mt 25,41)” (§1034 Catecismo da Igreja Católica).

O inferno é o estado da alma de quem negou a Deus de propósito, livre e voluntariamente, mesmo sabendo do seu amor infinito e de sua bondade. Isso aconteceu até mesmo com os anjos rebeldes, que foram precipitados nas profundezas.

Santo Anselmo nos fala em suas exortações sobre o fogo do inferno: “O nosso fogo terrestre destrói ao mesmo tempo em que arde, de maneira que, quanto mais intenso ele for, mais curta será a sua duração; já o fogo do inferno tem esta propriedade de preservar aquilo que ele queima e, embora se enfureça com incrível ferocidade, ele se enfurece para sempre”.

A alma destinada ao inferno é aquela que nunca mais vê a face de Deus, por isso o tormento! Após a morte e com consciência de tudo o que Deus fez por nós, pela humanidade e de todo o bem que deixamos de fazer, a alma sente em si mesma a dor da falta “para sempre” de Deus, por isso ela geme e se contorce em um fogo que não se acaba, não se consome e não se abranda.

Para que isso não aconteça conosco, é necessário estarmos sempre em estado de graça e pedir sempre a Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe, a Virgem Maria,
a graça da penitência final, para que possamos passar pelo crivo do julgamento celestial.

O Purgatório

Segundo o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, o purgatório “é o estado dos que morrem na amizade de Deus, mas, embora seguros da sua salvação eterna, precisam ainda de purificação para entrar na alegria de Deus”. Essa purificação final antes da entrada definitiva no Céu (daí vem a definição de Purgatório=purgar=purificar) é tida como um sinal do Amor de Deus que supera toda a nossa forma de julgamento e imaginação.

“A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao Purgatório sobretudo no Concílio de Florença e de Trento. Fazendo referência a certos textos da Escritura, a tradição da Igreja fala de um fogo purificador: no que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo, que, se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem no presente século nem no século futuro (Mt 12,32). Dessa afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras no século futuro.

Esse ensinamento apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala: “Eis por que ele [Judas Macabeu) mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado” (2Mc 12,46). Existem no NT passagens que indicam claramente a existência do Purgatório. Vejamos algumas: “O servo que, apesar de conhecer a vontade de seu Senhor, nada preparou e lhe desobedeceu, será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade de seu Senhor, fizer coisas repreensíveis, será açoitado com poucos golpes”(Lc 12, 47-48). “Ora, quando fores com o teu adversário ao magistrado, faze o possível para entrar em acordo com ele pelo caminho, a fim de que ele não te arraste ao juiz e o juiz não te entregue ao executor, e o executor não te ponha na prisão. Digo-te: Não sairás dali até pagares o último centavo.” (Lc 12, 58 e 59).

Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos:

Levemo-lhes socorro e celebremos sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelo sacrifício de seu pai, de que deveríamos duvidar de que nossas oferendas em favor dos mortos lhes levem alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer nossas orações por eles.

Para compreender essa doutrina e essa prática da Igreja, é preciso admitir que o pecado tem uma dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos toma incapazes da vida eterna; essa privação se chama “pena eterna” do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no estado chamado “purgatório”. Essa purificação liberta da chamada “pena temporal” do pecado. Essas duas penas não devem ser concebidas como uma espécie de vingança infligida por Deus do exterior, mas, antes, como uma consequência da própria natureza do pecado. Uma conversão que procede de uma ardente caridade pode chegar à total purificação do pecador, de tal
modo que não haja mais nenhuma pena.” (Catecismo da Igreja Católica §1031-§1032)

O Céu

“No fim dos tempos, o Reino de Deus chegará à sua plenitude. Depois do Juízo Universal, os justos reinarão para sempre com Cristo, glorificados em corpo e alma, e o próprio universo será renovado:

Então a Igreja será “consumada na glória celeste, quando chegar o tempo da restauração de todas as coisas, e com o gênero humano também o mundo todo, que está intimamente ligado ao homem e por meio dele atinge sua finalidade, encontrará sua restauração definitiva em Cristo.” (Catecismo da Igreja Católica §1042)

Não haverá mais dor, pois Ele “Enxugará toda lágrima de seus olhos, pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem clamor, e nem dor haverá mais. Sim! As coisas antigas se foram!” (Ap 21,4).

“Os que estiverem unidos a Cristo formarão a comunidade dos remidos, a cidade santa de Deus (Ap 21,2), “a Esposa do Cordeiro” (Ap 21,9). Esta não será mais ferida pelo pecado, pelas impurezas, pelo amor-próprio, que destroem ou ferem a comunidade terrestre dos homens. A visão beatífica, na qual Deus se revelará de maneira inesgotável aos eleitos, será a fonte inexaurível de felicidade, de paz e de comunhão mútua.” (Idem, §1045).

Que nosso padroeiro São Francisco interceda e nos alcance a graça de seguir firmes no Caminho para o Céu! Onde com Nossa Senhora e São José, e todos os Anjos e Santos, louvaremos a Deus na felicidade eterna e sempre crescente.

Padre Tiago Roney Sancio
Vigário Paroquial