O respeito ao santíssimo nome de Jesus

Conheça as origens e as razões do devido respeito ao santíssimo nome de Jesus Cristo.

A festa do Santíssimo Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, celebrada oito dias depois do Natal, nos recorda a reverência e o profundo respeito que devemos ter para com o nome do Filho de Deus encarnado. Desde a antiguidade, o nome de Jesus Cristo era venerado pelos cristãos, como nos atesta a Palavra: “Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos”1. Este respeito para com o nome de Jesus tem suas raízes mais antigas na tradição judaica. Os judeus obedecem rigorosamente a Lei dada por Deus a Moisés: “Não pronunciarás o nome de Javé [YHWH], teu Deus, em prova de falsidade, porque o Senhor não deixa impune aquele que pronuncia o seu nome em favor do erro”2. Em algumas traduções da Bíblia se usa, ainda hoje, o tetragrama sagrado YHWH, que não é pronunciado pelos judeus por temor de transgredir o mandamento de Deus. Em vista disso, em outras traduções, no lugar do tetragrama, passou-se a usavar vários outros nomes, sendo os mais usados em hebraico: Adonai (Senhor), Elohim (Deus). Nesta Lei dada a Moisés está também a origem do segundo mandamento da Igreja Católica, que “proíbe o abuso do nome de Deus, isto é, todo o uso inconveniente do nome de Deus, de Jesus Cristo, da Virgem Maria e de todos os santos”3. O respeito para com o nome é tão importante para os cristãos que é estendido a Santíssima Virgem e a todos os outros santos. Por outro lado, se devemos respeitar o nome dos santos, muito mais o devemos fazer em relação ao santíssimo nome do Senhor. Pois, “Deus confia o seu nome aos que creem n’Ele; revela-se-lhes no seu mistério pessoal. O dom do nome é da ordem da confidência e da intimidade”4. O nome do Senhor é Santo, por isso, não podemos abusar dele. Devemos guardá-lo na memória, num silêncio de adoração amorosa, e não devemos dizê-lo a não ser para invocar, bendizer, louvar e glorificar Deus.

O nome de Jesus é luz, alimento e cura para nós

O santíssimo nome de Jesus é um nome divino, anunciado a Virgem Maria da parte de Deus pelo Arcanjo São Gabriel: “lhe porás o nome de Jesus”5. O nome de Jesus, Yeshua em hebraico, significa “Deus Salva” ou “Salvador”. Este é um nome superior a todos os nomes, “o nome que está acima de todos os nomes”6, e o único no qual podemos encontrar a salvação7. Esse grande nome é comparado com azeite na palavra de Deus: “O teu nome é como óleo escorrendo”8. São Bernardo explica este versículo fazendo uma comparação: “assim como o azeite dá luz9, alimento e cura10, assim o nome de Jesus é luz para o espírito, alimento para o coração e medicina para a alma”11.

O nome de Jesus é luz para o nosso espírito. Por esse nome, o mundo converteu-se das trevas da idolatria à luz da fé. “Nós que nascemos em regiões onde antes da vinda de Jesus Cristo todos os nossos antepassados eram pagãos, todos nós o seríamos igualmente se o Messias não tivesse vindo para nos iluminar”12. Por isso, devemos render graças a Jesus Cristo pelo dom da fé, que recebemos da Santa Igreja!

O nome de Jesus é também alimento para o nosso coração. Pois, esse nome adorável nos lembra o que Jesus Cristo fez e sofreu para salvar-nos, mas também o que Ele continua a realizar em nosso tempo. Por isso, o nome de Jesus nos consola em nossas tribulações, fortalece-nos para seguir o caminho da salvação, anima-nos nos nas desconfianças e nas dificuldades, e abrasa-nos de amor a Deus a recordação de que nosso Redentor tem padecido para nos salvar.

O nome de Jesus é ainda medicina, remédio, cura para a nossa alma. Pois, esse nome torna-nos fortes contra as tentações de nossos inimigos. Os demônios tremem e fogem quando invocamos esse santo nome: “Ao nome de Jesus dobra-se todo o joelho ao céu, na terra e nos infernos”13. Ninguém jamais se perde depois de ter invocado o nome de Jesus nas tentações. No entanto, “perde-se quem não chama Jesus em auxílio, ou deixa de invocá-lo quando a tentação continua”14. À vista disso, invoquemos com fé o nome de Jesus, especialmente nas tribulações, tentações e provações.

Assista ou ouça programa do Padre Paulo Ricardo sobre “As provações”:

 

Oração de Santo Afonso Maria de Ligório invocando o nome de Jesus Cristo

“Ó meu Jesus, se eu Vos tivera sempre invocado, nunca teria sido vencido pelo demônio. Perdi miseravelmente a vossa graça, porque nas tentações me descuidei de Vos chamar em meu auxílio. Ponho toda a minha esperança em vosso santo Nome: Omnia possum in eo qui me confortat – ‘Tudo posso naquele que me fortalece’15. Gravai, ó meu Salvador, gravai em meu pobre coração o vosso poderosíssimo Nome, a fim de que, tendo-o sempre em meu coração pelo amor, tenha-o sempre também na bosa invocando-o em todas as tentações, que o inferno me prepara afim de me ver novamente seu escravo e separado de Vós. Em vosso nome acharei todo o bem. Nas aflições ele me consolará, pela lembrança que Vós tendes estado muito mais aflito por meu amor. Na desconfiança que me vier por causa de meus pecados, animar-me-á, lembrando-me que viestes ao mundo exatamente para salvar os pecadores. Nas tentações o vosso nome me dará força, porque me recordará que Vós sois mais poderoso para me ajudar do que o inferno para me vencer; finalmente na minha frieza em vosso amor, o vosso nome restituir-me-á o fervor pela recordação do amor que me tendes tido.

Amo-Vos, ó meu Jesus; Vós sois, e como espero, sereis sempre o meu único amor. Ó Jesus meu, eu Vos dou todo o meu coração, só a Vós quero amar, e quero invocar-Vos o mais frequentemente possível. Quero morrer com vosso nome nos lábios, porque é nome de esperança, nome de salvação, nome de amor. – Ó Maria, se me tendes amor, eis aí a graça que me deveis impetrar: fazei com que eu invoque sempre o vosso nome, o de vosso Filho e o de vosso castíssimo Esposo. Fazei que os vossos nomes dulcíssimos sejam a respiração de minha alma, e que sempre repita em vida, para depois repeti-lo na morte: Jesus e Maria, ajudai-me; Jesus e Maria, eu Vos amo! † Jesus, José e Maria, fazei que a minha alma expire em paz na vossa companhia16.

Ó Padre Eterno, que constituístes a vosso Filho unigênito Salvador do gênero humano, e mandastes se lhe desse o nome de Jesus: concedei benigno que, venerando na terra o seu santo nome, gozemos também da sua divina presença no céu. Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor”17. Amém.

Assista ou ouça programa do Padre Paulo Ricardo com o tema “Oração: a porta da santidade”:

 

Invoquemos com confiança o santo nome de Jesus Cristo

Portanto, façamos como os judeus fiéis, que tem o santo temor de não invocar o nome de Deus em vão, pois isto é mandamento para eles e também para nós. Mas, invoquemos com confiança o santíssimo nome de Jesus Cristo em nossas orações, em nosso trabalho, em nossa convivência social ou familiar, principalmente nos momentos de dificuldade, angústia, sofrimento, solidão. Devemos fazer isso não para lembrar Deus que existimos, que precisamos de sua presença, que temos uma necessidades. Pois, o Senhor sabe de todas essas coisas. Invocamos Jesus porque Ele se compraz que nos lembremos Dele e que nos coloquemos em Sua presença. Clamamos o seu nome não porque Ele está distante, pois Deus é onipresente, está em tudo e em todos nós, especialmente quando estamos em estado de graça. Chamamos pelo nome de Jesus não porque Deus se esqueceu de nós, mas porque nós nos esquecemos Dele e devemos lembrar que Ele está conosco18, que não estamos sozinhos, ainda que tudo indique que Deus nos abandonou. Clamar o nome de Jesus é um ato de fé, que nos ajuda a perseverar no caminho da cruz: “Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”19. Enfim, clamemos também os nomes dos santos, especialmente da Virgem Maria e de seu esposo São José, para que como eles sejamos fiéis à missão que o Senhor nos confia. † Jesus, José e Maria, fazei que a minha alma expire em paz na vossa companhia.

Natalino Ueda, escravo inútil de Jesus em Maria.

 

Referências:

1 Fil 2, 9-10.

2 Ex 20, 7.

3 PAPA JOÃO PAULO II. Catecismo da Igreja Católica, 2146.

4 PAPA JOÃO PAULO II. Catecismo da Igreja Católica, 2143. Cf. Zc 2, 17; Sl 29, 2; 96, 2; 113, 1-2.

5 Lc 1, 31.

6 Fil 2, 9.

7 Cf. At 4, 12.

8 Ct 1, 3. Algumas traduções trazem “perfume” ou “azeite” no lugar de “óleo”, o que não é incorreto, pois o azeite é um tipo de óleo extraído da oliveira, que era muito usado naquela época na fabricação de perfumes.

9 O azeite era usado nas lamparinas, como é exemplificado na parábola das Dez Virgens (cf. Mt 25, 1-13).

10 O azeite era usado para curar feridas, como na parábola do Bom Samaritano: “atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho” (Lc 10, 34).

11 SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 109.

12 Idem, ibidem.

13 Fil 2, 10.

14 SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. Op. cit., p. 110.

15 Fil 4, 13.

16 Esta invocação recebia 300 dias de indulgência, cada vez que fosse feita. Depois da reformulação da doutrina das indulgências, realizada pelo Papa Paulo VI, passou a receber indulgência parcial.

17 SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. Op. cit., p. 110-111.

18 Cf. Mt 28, 20.

19 Mc 8, 34.

 

Fonte: https://blog.cancaonova.com/tododemaria/o-respeito-ao-santissimo-nome-de-jesus/

 

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