"Aproxima-se a maior festa cristã do ano: a Páscoa do Senhor!"
Quinta-feira, 02/04/2009
No início da quaresma, o Papa Bento XVI, orientou os católicos no sentido de que este período fosse valorizado em cada família e em cada comunidade cristã, a fim de afastar tudo o que distraísse o espírito e intensificasse o que alimenta a alma, abrindo-a ao amor de Deus e do próximo. O santo padre pediu ainda que houvesse um maior compromisso com a oração, com o Sacramento da Reconciliação e com a participação ativa na Eucaristia, garantindo que rogaria para que cada crente e comunidade eclesial percorresse um proveitoso itinerário quaresmal, concedendo a todos a bênção apostólica.
O tempo quaresmal está chegando ao fim e aproxima-se a maior festa cristã do ano: a Páscoa
do Senhor! Todas as atividades, jejuns, abstinências, gestos, penitências e orações realiza
dos nos quarenta dias que a antecedem convergem para uma vivência mais profunda da
experiência pascal e para um renovo da vida cristã e pessoal e, assim, renovado, o cristão
pode testemunhar com maior propriedade a ressurreição de Cristo.
Após toda a preparação quaresmal, é chegada a hora da vivência da Semana Santa, com toda
a sua riqueza. É uma semana na qual os atos litúrgicos recebem o seu mais alto esplendor,
sua teologia mais profunda e o mais alto dramatismo. Isso, porque é da Semana Maior, como
é chamada pelos fiéis, é que é originado todo o Ano Litúrgico, como afirma o Côn. José
Geraldo Vidigal de Carvalho. Segundo o padre Juan Javier Flores Arcas, desde o século II
da caminhada cristã, já se tem registros da celebração da Semana Santa, sendo este desde
então, um período de recordação e espera da ressurreição de Jesus Cristo.
Na liturgia atual, a Igreja continua celebrando na Semana Santa os sagrados mistérios da
Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor encarnado que, por meio do martírio na Cruz e da
vitória sobre a morte, deu a todos os homens a graça da salvação. Considerando a
universalidade do gesto de Jesus, cada ser humano pode, então, apropriar-se da libertação
que provém desta santa semana. A cada ano, a Igreja oferece a todos, especialmente neste
período, a oportunidade de proclamar o senhorio de Jesus, ceiar com Ele, vigiar e orar,
sofrer Suas dores e solidão, acompanhá-Lo até o Calvário, chorar a Sua morte, esperar por
Ele e, finalmente, exultar de alegria ao encontrá-Lo vivo e ressuscitado.
Com o intuito de contribuir para um melhor aproveitamento de cada momento da Semana Santa e, assim, possibilitar que todos eles sejam vividos em sua plenitude, seguem alguns detalhamentos referentes aos mesmos:
O Domingo de Ramos
O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa recordando a entrada triunfal de Jesus
na cidade de Jerusalém, onde em meio a aclamações e louvores, o povo o acolheu como Rei
e Senhor, enquanto abanava seus ramos de oliveiras e palmeiras. O povo que viu Jesus
ressuscitar Lázaro estava em êxtase, e se enganou quanto ao tipo de Messias que Jesus
de fato era.
Contrariando as expectativas de que fosse um Messias político ou libertador
social, Jesus monta em um jumentinho, o símbolo da humildade, demonstrando sua pequenez
terrena. Não, definitivamente Ele não era um Rei deste mundo! (João 18, 36).
A entrada de Jesus em Jerusalém é, ao mesmo tempo, repleta de luzes e sombras, uma vez
que os gritos de aclamações se confundem com os gritos que pediam por Sua morte. De um
lado, os ramos que significam a vitória: "Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor,
o rei de Israel!" (João 12, 13b); de outro a rejeição: "Fora com ele! Fora com ele!
Crucifica-o!". (João 19,15)
O Ofício de Trevas
O Ofício de Trevas é um conjunto de leituras, lamentações, salmos e preces penitenciais, onde o templo fica às escuras, iluminado apenas por velas que se apagam aos poucos durante a cerimônia. Esta forma de celebrar foi responsável pelo nome dado ao ritual. O Ofício de Trevas é um forte momento de oração e reflexão da vida e missão de Jesus, que conduz os fiéis à oração, mediante a meditação da Palavra de Deus.
A Procissão do Encontro
Uma procissão é um modo de levar o povo à prática inteligente da fé. É também uma forma de
demonstrar aos fiéis que, ao caminhar atrás de uma imagem, deve-se buscar seguir o exemplo
do santo por ela representado.
Cada paróquia realiza a Procissão do Encontro de acordo com sua realidade. Em alguns
lugares, há o encontro entre as imagens do Senhor Morto e Nossa Senhora das Dores.
Na Paróquia São Francisco de Assis, em Itapoã, Vila Velha/ES, a procissão acontece
da seguinte maneira: os homens saem em procissão de uma comunidade pertencente à paróquia
carregando a imagem do Senhor dos Passos, enquanto as mulheres saem em procissão de outra
comunidade, carregando a imagem de Nossa Senhora das Dores. Em um local pré-determinado,
no caso, outra comunidade, há o encontro das duas procissões. Nesta procissão recomenda-se
silêncio e orações e também o uso das matracas ou cantos penitenciais e meditativos.
O Sermão das Sete Palavras
O Sermão das Sete Palavras é um rito no qual são lembradas as sete últimas palavras
de Jesus, no Calvário. São elas:
"Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem..." (Lucas 23, 34);
"Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso" (Lucas 23, 43);
"Mulher, eis aí o teu filho... Eis aí a tua Mãe" (João 19, 26-27);
"Tenho Sede!" (João 19, 28);
"Meus Deus, meus Deus, por que me abandonastes?" (Mateus 27,46);
"Tudo está consumado!" (João 19, 30);
"Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito!" (Lucas 23, 46).
Quinta-feira Santa
Na Quinta-feira Santa acontecem duas cerimônias de importância ímpar para a Igreja.
São elas:
*A Bênção dos Santos Óleos
Na Quinta-feira Santa cada Bispo reúne o seu clero e celebra a Missa da renovação do
sacerdócio, pois, de acordo com os Evangelhos e com a Tradição da Igreja neste dia
Jesus instituiu o Sacerdócio católico e a sagrada Eucaristia.
Nesta missa, também é dada a Bênção dos Santos Óleos, porque na Quinta-feira
Santa é o último dia em que se celebra missa antes da Vigília Pascal e, na Igreja primitiva
os Sacramentos do Batismo, da Crisma e da Primeira Eucaristia aconteciam somente na noite
da Vigília. A bênção refere-se, então, aos três óleos litúrgicos:
*Óleo do Crisma: uma mistura de óleo e bálsamo, que significa a plenitude do Espírito
Santo e revela que o cristão deve irradiar "o bom perfume de Cristo". É usado nos
Sacramentos da Confirmação e da Ordem;
*Óleo dos Catecúmenos: são chamados catecúmenos aqueles que se preparam para receber o
Sacramento do Batismo. Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que
penetra na pessoa, libertando-a e preparando-a para o nascimento pela água e pelo
Espírito;
*Óleo dos Enfermos: é usado no Sacramento da Unção dos Enfermos e significa a força do
Espírito de Deus para a provação da doença, bem como para o fortalecimento da pessoa para
enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus.
*Instituição da Eucaristia, do Sacerdócio e Cerimônia do Lava-pés
Com a Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde ou na noite da Quinta-feira Santa, a
Igreja comemora a Última Ceia, dando início ao chamado Tríduo Pascal. Esta missa é
conhecida por muitos cristãos como a "Mãe de todas as missas". De fato, esta missa possui
valor imensurável para a Igreja, afinal, por meio dela são relembrados os gestos de Jesus
e instituídos dois importantes Sacramentos.
*A Instituição da Sagrada Eucaristia: Jesus, na noite em que foi traído, ofereceu ao Pai
o seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou para os Apóstolos
para que estes os tomassem (Lucas 22, 17.19);
*A Instituição do Sacerdócio: ao pronunciar as palavras "Fazei isto em memória de mim"
(Lucas 22, 19), Jesus instituiu o sacerdócio católico e deu-lhes aos apóstolos e aos seus
sucessores poder para celebrar a Eucaristia;
*Cerimônia do Lava-Pés: lembra o gesto de Jesus na Última Ceia, quando ao lavar os pés dos
discípulos mesmo sendo Mestre (João 13, 13), ensinou-lhes o fundamento da vida cristã
missionária: o serviço. Além de ser um gesto referência de profunda e verdadeira humildade
e santidade para todos os cristãos.
Após a Missa o altar é desnudado, ou seja, sua toalha é retirada, demonstrando o
aniquilamento e o flagelamento de Cristo que morreu pelos pecados da humanidade.
Em alguns locais, as imagens do templo são cobertas. Ao término desse momento,
acontece a Procissão do Translado do Santíssimo Sacramento para uma capela,
onde se tem o costume de fazer a adoração do Santíssimo durante toda à noite,
gesto que relembra a retirada de Jesus com seus apóstolos até o Monte das Oliveiras
onde sofreu uma angústia suprema (Lucas 22, 39).
Sexta-feira Santa
Neste dia, celebra-se a Paixão e Morte de Jesus Cristo. É um dia de silêncio, jejum e
oração e de profundo respeito diante da morte do Senhor. A Igreja aconselha a guardar este
dia santo, no sentido de não trabalhar, se divertir ou realizar outras atividades que
possam levar o cristão a esquecer-se da morte do Senhor.
O jejum de carne vermelha neste dia é uma orientação da Igreja que visa propiciar aos
cristãos um gesto de conversão, renúncia e domínio de si. O jejum é uma tradição que
surgiu na Idade Antiga e se consolidou na Idade Média. A carne vermelha sempre esteve
presente no cardápio da humanidade, mas o mesmo não acontecia com o peixe. Ainda nos dias
atuais, embora os nutricionistas insistam no valor nutritivo do peixe, a preferência
continua sendo pela carne vermelha.
O jejum fortalece o espírito e a vontade para
que as paixões desordenadas não dominem vida e a conduta do ser humano. Nesse sentido,
cada cristão deveria refletir se, ao abster-se de carne vermelha, convém substituí-la
por outros pratos com bacalhau, torta capixaba, moquecas ou outras delícias feitas com
mariscos ou frutos-do-mar.
Às 15 horas, horário em que Jesus foi morto, é celebrada a principal cerimônia do dia:
a Paixão do Senhor. Esta cerimônia consta de três partes: Liturgia da Palavra, Adoração
da Santa Cruz e Comunhão Eucarística. Vale lembrar que os cristãos não adoram a cruz como
um objeto de madeira, mas sim, o Cristo pregado na Cruz. Após este momento não há mais
comunhão eucarística até que seja realizada a celebração da Páscoa, no Sábado Santo.
Sábado Santo (ou Sábado de Aleluia)
O núcleo original mais antigo da Semana Santa é a Vigília Pascal, da qual se tem rastros
já no Século II da era cristã. Foi sempre uma noite de vigília em recordação e espera da
ressurreição de Jesus Cristo. A isso se acrescentou muito logo a recepção dos sacramentos
da iniciação cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia, pelo que se converteu por sua vez
na grande noite Sacramental da Igreja.
Na liturgia atual, o Tríduo Pascal começa na tarde de Quinta-Feira Santa com a Missa da
Ceia do Senhor e se une ao primeiro dia do tríduo que é, em si, a Sexta-Feira Santa da
Paixão do Senhor. O segundo dia é o Sábado Santo da sepultura do Senhor, um dia de silêncio,
jejum e espera. A Igreja detém-se ante o Sepulcro do Senhor crucificado e espera sua
Ressurreição. Com a Vigília Pascal, na noite do Sábado Santo, começa o terceiro dia do
Tríduo pascal: o Domingo da Ressurreição do Senhor.
Domingo de Páscoa
A palavra Páscoa vem do hebreu Peseach e significa passagem. Esta festa era vivamente comemorada pelos judeus do Antigo Testamento. Ao morrer na cruz e ser sepultado, Jesus ressuscitou três dias depois, num domingo, logo após a Páscoa judaica. A ressurreição de Jesus Cristo é o ponto central e mais importante da fé cristã. Através da sua ressurreição, Jesus prova que a morte não é o fim e que Ele é, verdadeiramente, o Filho de Deus. No domingo, o temor dos discípulos em razão da morte de Jesus na Sexta-Feira transformou-se em esperança e júbilo e a partir deste momento eles adquiriram força para continuar anunciando a mensagem do Senhor.Segundo o padre Juan Javier Flores, o domingo da Ressurreição é o dia mais importante do ano litúrgico, sendo o seu centro precisamente a Vigília Pascal, na noite do Sábado Santo, que se estende ao domingo, configurando o centro de todo o ciclo litúrgico.
Pelo fato de a ressurreição de Jesus ter acontecido no primeiro dia da semana, quando apareceu glorioso a seus discípulos e discípulas, os apóstolos e as primeiras comunidades cristãs denominaram esse dia como "domingo", "dies Domini", dia do Senhor. Os primeiros cristãos passaram a reunir-se sempre no primeiro dia da semana para celebrar a presença do Ressuscitado em meio à comunidade e para partilhar seus bens entre os necessitados (Atos 2,44). Foram os primeiros cristãos que mudaram, assim, o sagrado costume judaico de santificar o dia de sábado.
Ao viver a quaresma, o cristão busca viver o mesmo destino do Senhor, caminhando com Ele até a cruz. Mas esse não é o fim da história, na verdade é o início. É preciso também experimentar a ressurreição do Senhor na própria vida. Como afirmou o Papa Bento XVI em seu discurso de abertura na V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano, ao viver uma experiência com Cristo e apaixonar-se por Ele, o discípulo sabe que não pode deixar de anunciar ao mundo que só Jesus salva e que sem Ele não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro. A vitória selada na Semana Santa garante a todos os homens a gratuidade da salvação e isso precisa ser vivido e anunciado por todos os cristãos.
Para maiores informações sobre os horários e locais de cada celebração da Semana Santa na Paróquia São Francisco de Assis,
Renata Maria Bourguignon Torres
Equipe do Site
Fontes:
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