"Uma experiência de confissão"
Sexta-feira, 03/04/2009
Foi uma confissão rápida, mas extremamente reveladora. Nesses tempos de quaresma, a Semana Santa já à vista e meu coração não sentia aquela paz há tempos. Algumas frases ecoam na minha cabeça e, antes de tudo, no meu coração: Deus é fiel (I Cor 10, 13). E o quanto eu pedi a Deus que não me deixasse. E o quanto eu me senti só, com medo e perdida. E o quanto eu implorei por um milagre.
E o milagre veio como uma brisa suave, um fogo abrasador. E entendi a mágica absolutamente livre de qualquer magia que significava ser impelida pelo Espírito Santo. Talvez eu já tenha imaginado profetas sendo teletransportados ou coisas que, sem explicação, considerei ‘sentido figurado’ na Bíblia. Não é nada figurado. O Espírito Santo sopra onde quer e só basta se deixar ser levado pelo seu sopro. Sopro este que transporta os mais pesados.
E aconteceu. Eu fui à missa sem pensar em me confessar, ia entrar no santíssimo e havia um frei lá. Ora, eu tinha me confessado há pouco tempo, mas um peso nunca havia me deixado, um peso que eu não conseguia falar porque não tinha coragem. Eu voltei à assembléia, meu pensamento viajou pra onde eu não gostaria e, muito provavelmente, eu chorei. Eu, no meu desespero, fui parar no santíssimo-confessionário. Foi tão rápido e sem perceber e eu já não conseguia lutar contra o sopro. É difícil acreditar que eu consegui falar, minhas mãos estavam geladas e o frei falava de uma forma tão leve, que foi retirando o meu peso e deixando meus males com cara de nada. De absolutamente nada.
Nada diante de um Deus tão grande e tão bondoso quanto o meu. Um Deus fiel, Pai com coração de Mãe. E, talvez não fosse sequer a primeira vez, eu percebi que Deus coloca graça até no fato de pecarmos: arrepender-nos e voltar. A sensação de volta é única. Me entristece que foi e nem sabe disso e, portanto, não pensa em voltar. Não cogita saborear a sensação de pecador perdoado e filho recebido de volta.
Talvez, nesta condição humana, uma das melhores formas de sentir Deus é neste
momento: uma acolhida, de uma mão sobre a cabeça, de um colo e um olhar de afeto.
É saber que Ele faz de tudo para não perder um filho Seu, nós só precisamos não sair
correndo, é só ficar perto de casa, ao alcance da voz do Pai para a hora de voltar.
Ele chama e, se quisermos, Ele faz questão de nos puxar de volta, com alegria e força
para uma grande festa.
Se não nos segurarmos na nossa humanidade, poderemos voar, impelidos pelo sopro Divino, justamente para onde precisamos ir.
Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
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