'Senhor fazei-me um instrumento de vossa paz!'
Maria

Maria e os dogmas
Quinta-feira, 28/05/2009


MARIA e os Dogmas

Todos nós, criaturas de Deus, somos personagens de uma história divina. Sim, divina porque foi pensada e é realizada segundo a vontade do Criador, que permite que cada ser vivente atue com liberdade e segundo os dons que lhes dão dados (Eclo 15,14-18).
No decorrer de sua história, o homem tomou consciência de si mesmo, de sua grandeza e de sua liberdade. Mas, contrariando o mandamento divino (Gn 2,9.17) e acreditando na sua auto suficiência, quis decidir livremente sobre o bem e o mal (Gn 3,5). Como conseqüência foi expulso do paraíso tendo que viver numa luta constante com a serpente (pecado) (Gn 3,15.23).
Entretanto, Deus não criou o homem para o pecado, mas para ser santo e imaculado diante de si (Ef 1,4-6) , e em determinado momento da nossa história, na 'plenitude dos tempos', haveria de enviar o seu próprio Filho, o Verbo, para que recebêssemos a adoção de filhos (Gl 4,4-6).

Tudo começou como num conto de fadas na cidade de Nazaré: Um anjo e uma menina. Sim, Maria era uma adolescente quando foi visitada pelo Anjo Gabriel. Um encontro entre duas naturezas diferentes, numa ocasião em que Paulo chamou de 'plenitude dos tempos'.
Este encontro preparou a humanidade para mudar sua história. Ou seja, a partir do 'Sim' de Maria a nova e eterna Aliança tornou-se realidade.
Como uma serva Maria se entregou à vontade do Senhor Deus (Lc 1, 38). E, nesse mistério insondável, como uma esposa que recebe o seu esposo, Maria que confessou sua virgindade ao Anjo Gabriel (Lc 1,34), recebeu o Espírito Santo, a força do Altíssimo, que nela gerou Jesus, o Deus-Homem. Maria é o caminho pelo qual o Verbo divino se inseriu e divinizou o tempo e a nossa história que se tornou 'história da salvação'. Foi no mistério da Encarnação que o amor de Deus por todos nós se revelou de maneira mais sublime, como constata João em sua primeira carta ( 1 Jo 4,10).
Maria, repleta de amor humano, porém com o coração voltado para Deus, cuidou de seu filho dando-lhe o alimento materno, afeto e condições para seu crescimento espiritual. Quando percebeu que o mais importante para Jesus era a sua missão e não mais a família biológica (Mt 12,46-50), com humildade, reconheceu e assumiu a postura de mãe e discípula.
O primeiro milagre de Jesus foi realizado numa festa de casamento em Caná, na Galiléia, a pedido de sua mãe que havia percebido a falta do vinho. Embora respondendo que a sua hora não havia chegado, como mãe e conhecendo o coração do seu filho, Maria dirigiu-se aos servos dizendo para fazerem o que seu filho dissesse. E Jesus transformou a água em um vinho melhor (Jo 2, 1-11).
Como fiel discípula, Maria se alegrou juntamente com aquele povo sofrido pelas curas que Jesus havia realizado e lhes dava esperança de tempos melhores. Como mãe, sofreu de pé diante da cruz, as dores do seu filho crucificado, ouvindo o seu último apelo, para ser mãe de uma nova comunidade: a Igreja.
No dia de Pentecostes ela estava no cenáculo e juntamente com os apóstolos recebeu o Espírito Santo (At 1,14).

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M S Vieira

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