'Senhor fazei-me um instrumento de vossa paz!'
A Santíssima Trindade

"Deus se dividiu para se fazer conhecer e é justamente por isso que é difícil de entender, pois Ele se dividiu sem deixar de ser."

Sábado, 06/06/2009


A Igreja define a Trindade com a crença que em Deus existem três pessoas distintas com uma mesma natureza. Os termos filosóficos: natureza, essência, substância e pessoa, que expressam a relação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, foram usados de forma errada por alguns teólogos, que causaram grandes controvérsias e fizeram surgir as primeiras definições trinitárias através dos Concílios Ecumênicos.

A primeira formulação dogmática do pensamento teológico cristão trinitário, no que concerne à relação entre cada uma das três pessoas divinas, foi postulada como um artigo de fé pelo credo de Nicéia (proclamado em 325 no Concílio de Nicéia) - realizado para dirimir as questões levantadas pelo arianismo (de Arios, presbítero cristão de Alexandria) que negava a divindade plena do Filho -, e, em seguida, pelo Primeiro Concílio de Constantinopla de 381 - realizado para, em oposição aos pneumatômacos (os que combatem o Espírito), afirmar a plena divindade pessoal do Espírito Santo.

Evidentemente, as postulações conciliares não foram suficientes para impedir novas heresias e grandes teólogos e doutores da Igreja continuaram se debruçando sobre o tema para refutar os pensamentos errôneos que surgiram no decorrer da história.

Santo Agostinho, em seu tratado teológico sobre a Trindade (“De Trinitate”) realizado em vários anos de contemplação e estudos, deixa claro o seu desejo de aprofundar-se na compreensão do mistério trinitário; o desejo de melhor conhecer o mistério divino para mais o amar, e torná-lo conhecido e amado: “Esse amor em mim, que tem sua fonte em Deus, e sobre o qual fixo o olhar de meu espírito, será ele capaz de me revelar a Trindade? Sim, tu vês a Trindade, se vês a caridade”.

O Catecismo da Igreja Católica afirma: §202 Jesus mesmo confirma que Deus é "o único Senhor" e que é preciso amá-lo de todo o coração, com toda a alma, com todo o espírito e com todas as forças. Ao mesmo tempo, dá a entender que ele mesmo é "o Senhor". Confessar que "Jesus é Senhor" é o específico da fé cristã. Isso não contraria a fé em um Deus único. Crer no Espírito Santo "que é Senhor e dá a Vida" não introduz nenhuma divisão no Deus único: Cremos firmemente e afirmamos simplesmente que há um só verdadeiro Deus eterno, imenso e imutável, incompreensível, Todo-Poderoso e inefável, Pai, Filho e Espírito Santo: Três Pessoas, mas uma Essência, uma Substância ou Natureza absolutamente simples.

Como disse o Pe. Joãozinho SCJ (no programa “Direção Espiritual” da TV Canção Nova, em 19/03/2009): “O Pai é o que pronuncia a palavra, o Filho é a própria palavra e o Espírito Santo é o vento, o meio em que a palavra é propagada”. Portanto, a mesma natureza (o verbo) em três pessoas distintas (os três sujeitos da ação: o Pai, o Filho e o Espírito Santo).

Deus se dividiu para se fazer conhecer e é justamente por isso que é difícil de entender, pois Ele se dividiu sem deixar de ser.

Que a Santíssima Trindade nos ilumine e nos faça compreender seu exemplo de união para que sejamos também unidos em um só rebanho aos cuidados de um mesmo Pastor e que a perfeita comunhão de nosso Deus uno e trino seja o motivo da unidade dos cristãos.

Francisco Herbet Bezerra de Menezes.
Equipe do Site.

Fontes:
McKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. Paulus: São Paulo, 1983.
LENZENWEGER, Josef; STOCKMEIER, Peter; BAUER, Johannes B.; AMON, Karl e ZINNHOBLER, Rudolf. História da Igreja Católica. Loyola: São Paulo, 2006.
SILVA SJ, Heitor Morais da. HISTÓRIA DOS PAPAS - Luzes e Sombras. Editora A O: Braga.
AGOSTINHO, S. A Trindade. Paulus Editora.
Catecismo da Igreja Católica.

Loading

PortadeAssis.com.br © 2008-2010 Todos os direitos reservados. | Faça parte da equipe do site.