Por mais adversas que elas sejam, não estamos sozinhos, porquanto Ele mesmo prometeu estar
conosco até o fim dos tempos.
Quarta-feira, 10/06/2009
CORPUS CHRISTI "A FESTA DO CENTRO DA VIDA DA IGREJA E DOS FIÉIS"
Dentro de alguns dias a igreja, no mundo inteiro, irá celebrar a festa de Corpus Christi. Além de muito
antiga, é também umas mais importantes, pois é inteiramente dedicada àquela que é o grande mistério,
origem e fonte de nossa fé: a Eucaristia.
Essa tradicional festa já é comemorada há mais de oito séculos pelos cristãos, sempre após o domingo
dedicado à Santíssima Trindade. Sua origem remonta às visões da beata Juliana de Cornillon. Em 1209,
na diocese de Liége, na Bélgica, essa religiosa começou a ter visões eucarísticas, que se sucederam
por um período de quase trinta anos. Nelas aparecia um disco lunar com uma grande mancha negra no
centro, sendo entendida como a ausência de uma festa dedicada ao sacramento da Eucaristia. Esse disco
lunar também foi interpretado como sendo a igreja e a mancha negra como a ausência de uma festa dedicada
à Eucaristia. No ano de 1264, o então Papa Urbano IV (anteriormente bispo na região onde morava a beata)
, inclui no calendário litúrgico da igreja a Festa de Corpus Christi.
Mas sendo uma festa destinada ao sacramento da comunhão, por que não comemorá-la no dia de sua
instituição, a quinta-feira da Semana Santa? Este dia, como toda a Semana Santa, tem uma mística
própria: a paixão e morte de Jesus. Dessa maneira, não resultaria em boa combinação misturar a alegria,
o louvor, a glorificação e gratidão (característicos de Corpus Christi) com a contrição, o silêncio e
o luto (típicos da quinta-feira Semana Santa). Não obstante, não é sem propósito que Corpus Christi é
celebrado no mesmo dia da semana em que a Eucaristia foi instituída.
Celebrar essa festa é render a honra, a glória e o louvor que são devidos ao centro e origem de nossa
fé. Em nossa igreja, a Eucaristia é o centro. Sem ela, não há igreja, não há sentido em crer, não há
nada no que crer. Para ela convergem o templo com toda sua arrumação e objetos sagrados, as missões,
os ministérios, as pastorais, os diversos movimentos, congregações e toda diversidade apostólica de
nossa igreja. Porquanto não há qualquer um deles que possa existir senão a partir dela. “A Eucaristia
é o ponto de convergência de todas as atividades da Igreja, isto é, da pastoral, da pregação, da
teologia, do diálogo com o mundo, do ecumenismo. Todas estas atividades encontram na Eucaristia o
fulcro e o coração” (CALISI, 2003).
Na Eucaristia, a igreja recorda verdadeiramente o sacrifício de Cristo, que doando a própria vida
restituiu nossa ligação com Deus (perdida pelo pecado original) e abriu-nos a porta da eternidade.
Celebrá-la é tornar presente aquilo que nos traz a vida plena e que é o fundamento de nossa fé.
Dessa forma, nada mais justo e honroso do que reservar um dia no ano para que, com fervor redobrado,
manifestemos nosso amor e dependência da Eucaristia. Por isso, conforme a tradição popular, vamos às
ruas, ornadas com tapetes, em procissão e entoando hinos de louvor e glória. No entanto, para que esse
culto seja verdadeiro, a Eucaristia precisa ser muito mais do que agenda dominical e social em nossa
vida ou uma compulsiva necessidade, mas que não faz de nós cristãos mais perfeitos.
Tal como a Semana Santa, o dia de Corpus Christi não é um feriadão prolongado próprio para o passeio,
o lazer e ou simplesmente ficar de bobeira em casa. É o dia especial para adorarmos em espírito,
trazendo em nossos corações o profundo louvor e glória que não podemos expressar em palavras e gestos.
E adorar também em verdade: confeccionando os tapetes, vivendo fervorosamente a celebração eucarística
e participando da procissão pelas ruas de nossa cidade. Mais do que uma obrigação, é uma exigência de
gratidão e humildade de todo católico verdadeiro. Conforme ensina o professor Felipe Aquino, a
procissão de Corpus Christi é a mais importante do ano, porquanto o próprio Cristo sai às ruas para
abençoar as pessoas, as famílias e a cidade.
Como já foi dito, é tradição popular ornar com tapetes as ruas por onde passará a procissão eucarística.
Em algumas cidades esses tapetes, sempre bonitos, são tidos como atração turística atraindo multidões
de pessoas. No entanto, não podemos esquecer que sem Jesus Eucarístico seriam um grande trabalho
artístico somente, digno de respeito e admiração. Porém, à luz da fé, somos convidados a ver de
outra maneira esses tapetes. Neles são retratados situações, clamores, a vida missionária e pastoral
da Igreja e demais realidades inspiradas na sua confecção. E Jesus, na Eucaristia, passa por essas
realidades deixando sua marca de amor, de misericórdia, de perdão, enfim de transformação ou renovação.
Desde sua preparação, escolha do desenho, dos materiais a serem utilizados, o que se manifesta não é
somente um dom artístico, mas sim, o mais sublime dos dons: o amor. Dessa maneira, muito mais do que
ver obras de arte, queremos ver e adorar aquele que passa, aquele que é o sentido e motivo maior das
obras: Jesus Eucarístico, centro da igreja e nossa fé. Porque Nele, por Ele e para Ele são todas as
coisas e a vida daqueles que Nele creem e esperam a sua volta !!
Tenhamos então em nossos corações que celebrar Corpus Christi é, ao mesmo tempo, viver uma linda
tradição (confeccionar os tapetes), manifestar publicamente e em comunidade nossa fé na Eucaristia
(procissão) e participar fervorosamente do sacrifício que nos trouxe a vida (a missa). Só poderemos
viver intensamente essa festa, se o próprio Cristo está intensamente presente em nossa caminhada neste
mundo, dentro das mais diversas realidades que vivemos: família, trabalho, amigos, igreja, nosso
interior... Por mais adversas que elas sejam, não estamos sozinhos, porquanto Ele mesmo prometeu estar
conosco até o fim dos tempos, e porque não dizer, até depois desse fim, ou seja, por toda a eternidade.
Fábio dos Santos Cordeiro
REFERÊNCIAS:
AQUINO, Felipe. Acampamento de Corpus Christi: A FESTA DE CORPUS CHRISTI.
Disponível em http://www.cancaonova.com/portal/canais/eventos/novoeventos/cobertura.php?tit=A+festa+de+Corpus+Christi&cod=100&sob=430.
AZEVEDO, Fernanda Carminati. Apostolado Veritatis Splendor: EUCARISTIA: SACRAMENTO E SACRIFÍCIO. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5583. Desde 04/02/2009.
CALISI, Mateo. A EUCARISTIA: fonte e ápice da vida dos fiéis leigos. Recife: Comunidade Obra de Maria, 2003.
CUNHA, Ana Maria Bueno. Apostolado Veritatis Splendor: CRISTO: VERDADEIRO DEUS E VERDADEIRO HOMEM ESTÁ NO MEIO DE NÓS. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5600. Desde 13/02/2009.
MEDEIROS, Silvio L. Apostolado Veritatis Splendor: A FESTA DE CORPUS CHRISTI, A FESTA DO AMOR . Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5199. Desde 21/05/2008.
PARREIRAS, Aloisio. Especial Corpus Christi: FESTUM SACRATISSIMI CORPORIS CHRISTI. Disponível em http://www.mab.org.br/noticias/Especiais/especial2006_Cxti_06.html. Desde 07/06/2006.
