'Senhor fazei-me um instrumento de vossa paz!'
ENCERRAMENTO DO ANO PAULINO



Estamos nos aproximando do encerramento do Ano Paulino, em 29 de junho de 2009, e cabe a nós refletir sobre o que foi vivenciado neste ano jubilar em celebração dos 2000 do nascimento de São Paulo.

A vida de São Paulo foi marcada pela fé. Fariseu educado no judaísmo, tamanha era sua fé nas leis judaicas que Paulo se tornou o maior perseguidor dos cristãos, acreditando, assim, estar realizando a vontade de Deus. Convertido para o cristianismo, sua fé mudou de direção, mas não de intensidade, e Paulo se tornou o maior anunciador do Evangelho. Paulo não se deixou intimidar pelas dificuldades da missão que lhe fora confiada, vencendo distâncias e resistências em nome de Jesus...

Também o sacrifício marcou profundamente a vida de Paulo. Nascido em família abastada, deixou o conforto e a riqueza para viver uma vida de pobreza e trabalho, tendo sacrificado ainda a liberdade e a vida em nome do Evangelho.

E a nossa fé, em quê nos tem transformado? Temos sido fervorosos anunciadores do Evangelho? Quantos de nós têm sido fiéis à missão recebida no batismo? E como temos nos colocado diante das renúncias que a vivência do Evangelho exige de nós?

São Paulo viveu em uma época marcada pela perseguição dos cristãos, pela dominação romana, pela exploração dos pobres, pela discriminação das mulheres e das crianças, pelo desamparo dos órfãos, viúvas e estrangeiros, pela escravidão da lei e pela vaidade. Dois mil anos após o nascimento de São Paulo, eis que se apresenta uma época marcada por: desprezo pela vida com a defesa do aborto e da eutanásia, exploração dos trabalhadores pela classe detentora dos meios de produção, aumento da violência em suas variadas formas (policial, doméstica, urbana...), desamparo dos menos favorecidos por um Estado ineficiente na promoção do bem-estar social, esvaziamento da dignidade da mulher pela sua transformação em objeto sexual, busca desenfreada pela beleza física, consumismo, efemeridade dos relacionamentos, etc.

A necessidade do anúncio e da prática do Evangelho, mais do que nunca, é urgente. Quantos missionários ainda precisam ser assassinados para que a palavra de Deus seja ouvida? Quantos índios ainda serão queimados vivos até que prevaleça o respeito pela vida humana? Quantas crianças ainda morrerão de fome e de frio em nossas metrópoles e em nossos sertões?

Após um ano inteiro dedicado ao estudo de São Paulo, tomemos o seu exemplo como modelo de vida e sejamos cristãos praticantes, atuantes e verdadeiros transformadores da nossa realidade através do anúncio concreto do Reino de Deus.

Josiani Gobbi Marchesi Freire

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