'Senhor fazei-me um instrumento de vossa paz!'
São João Batista

"O testemunho de Jesus a respeito de João faz dele o maior dentre os nascidos de mulher."

Terça-feira, 23/06/2009


João, em hebraico Yôhanan (pronuncia-se Iôcanã), significa “Iahweh é benigno”. Filho de Zacarias e Isabel, chamado “o Batista”.

O capítulo I do evangelho de Lucas narra a história de seu nascimento: o anúncio a Zacarias por parte do Anjo Gabriel, a idade avançada de seus pais, o mutismo de Zacarias, a escolha do nome, o reconhecimento de Jesus ainda no ventre materno por parte de João que “estremeceu” no seio de Isabel. Todas essas circunstâncias do nascimento de João Batista constituem semelhanças com outros relatos bíblicos sobre a vida de grandes patriarcas e heróis do povo hebreu como Abraão, Isaac, Sansão e Samuel. Os simbolismos presentes nesses relatos expressam a antecipação do acontecimento salvífico dos evangelhos , mas não significam ficção do escriba: o parentesco entre João e Jesus faz parte da tradição autêntica. Mais tarde, João aparece (Mt 3,1-10; Mc 1,4-6; Lc 3,1-9) no deserto de Judá anunciando o reino, o dia do juízo e conclamando ao batismo e à penitência. João vivia no deserto e vestia-se de um modo que recorda Elias. Lucas acrescenta alguns detalhes sobre seu ensinamento moral (3,10-14): generosidade para com os pobres e renúncia à violência e à opressão. João anunciava a vinda do Messias como juiz (MT 3,11s; Mc 1,7s; Lc 3,15-18) que batizaria com o Espírito Santo e com fogo, por isso o batismo que João pregava constituía apenas uma preparação. Quando Jesus uniu-se àqueles que queriam ser batizados, João o reconheceu como Messias (Mt 3,13-17; Mc 1,9-11; Lc 3, 21s).

A apresentação de João Batista no evangelho de João não difere muito dos sinóticos. João foi enviado por Deus para “dar testemunho da luz” (Jo 1,6.15). João negou ser o Messias e indicou Jesus como o “Cordeiro de Deus”. Depois dessa indicação de João Batista, Jesus começou a fazer os primeiros discípulos (Jo 1,19-36; Lc 3,15s).

Flávio Josefo, um historiador do século I, refere que o povo se reunia em grande número para ouvir João Batista, e Herodes temeu que João pudesse liderar uma rebelião, mandando-o prender na prisão de Maqueronte e em seguida matando-o. Flávio Josefo também relacionou a derrota do exército de Herodes frente a Aretas IV (Rei da Nabateia) ao fato da prisão e morte de João Baptista – “um homem consagrado que pregava a purificação pelo batismo”.

No tempo de João Batista o povo vivia subjugado à soberania dos chamados gentios havia quase cem anos. A desilusão nacional levantava inúmeras questões a respeito dos ensinamentos de Moisés, do desocupado trono de David e dos pecados da nação. Era difícil de explicar na religião daquele povo a razão pela qual o trono de David se encontrava vazio. A tendência do povo era justificar os acontecimentos adversos com um provável “pecado nacional”, tal como tinha acontecido anteriormente no cativeiro da Babilônia, e outros mais.

João Batista foi um pregador heróico. Ele falava ao povo expondo os líderes iníquos e as suas transgressões. Quando o assemelhavam a Elias, era porque este tinha o mesmo aspecto rude e admoestador do seu antecessor.

A figura de João também se faz presente na vida pública de Jesus. Pergunta-se a Jesus por que seus discípulos não jejuavam enquanto os de João praticavam o jejum (Mt 9,14ss; Mc 2,18ss; Lc 5,33ss). Em outras passagens, Jesus chama a atenção para o contraste entre a austeridade da vida de João e o seu próprio modo comum de viver (Mt 11,18; Lc 7,33). Da prisão, João envia seus discípulos para indagar sobre a messianidade de Jesus (Mt 11,2-6; Lc 7,18-23). Jesus responde nos termos do “Servo” de Isaías e a resposta é muito clara para quem conhece as escrituras. É provável que a indagação de João não fosse apenas uma forma de confirmar a fé de seus discípulos, pois ele próprio já não estaria tão confiante e até houvesse perdido um pouco das certezas de suas pregações anteriores e queria estar seguro. A resposta de Jesus não só o tranqüiliza a respeito, mas também define o caráter de sua messianidade. O testemunho de Jesus a respeito de João faz dele o maior dentre os nascidos de mulher (Mt 11,7-19; Lc 7,24-35). Em João se concretizou a crença judaica de que Elias voltaria antes do Messias (Mt 17,13; Mc 9,13). Ele foi o último dos profetas do Antigo Testamento, é o elo entre o Antigo e o Novo Testamento.

Francisco Herbet Bezerra de Menezes.
Equipe do Site.

Fonte:
McKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. Paulus: São Paulo, 1983.

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