Escolheu Jesus e foi escolhido por Ele
Quinta-feira, 02/07/2009
O início da vida pública de Jesus deu-se após o batismo recebido pelas mãos de João Batista, no rio
Jordão. Após receber o Espírito Santo e ouvir uma linda declaração de amor do Pai, Jesus retira-se
para o deserto, onde é tentado por quarenta dias (Mc 1, 9-11). Ao retornar, Jesus depara-se com a
prisão de João Batista e começa, então, a anunciar o Reino de Deus.
Logo no início da sua missão, Jesus escolhe os seus apóstolos. Alguns foram chamados pelo Mestre
quando estavam em seus ambientes de trabalho, como foi o caso de Pedro e André (Mc 1, 16), Tiago
e João (Mc 1, 9) e Mateus (Mc 2, 14). Jesus passou, chamou e eles O seguiram. Outros, entretanto,
foram escolhidos porque seguiam a Jesus antes mesmo de terem sido escolhidos por Ele. Eles mesmos
haviam escolhido a Jesus.
Em meio às curas, milagres e pregações de Jesus, uma grande multidão o acompanhava (Mc 3, 7) e muitos
já haviam se tornado seus discípulos (Mc 3, 9). Nesse contexto, Jesus “subiu ao monte e chamou os que
ele quis” (Mc 3, 13), momento em que completou-se o grupo dos doze apóstolos. Dentre os escolhidos
nesta ocasião, encontra-se São Tomé.
O Papa Bento XVI na audiência geral realizada em 27 de setembro de 2006 traçou um perfil da personalidade de São Tomé por meio de informações retiradas dos Evangelhos. Quando em ocasião da morte de Lázaro Tomé exorta os demais apóstolos “Vamos nós também, para morrermos com Ele” (Jo 11, 16), demonstrando assim uma determinação exemplar. Retornar a Betânia seria arriscado, mas a atitude de Tomé revela sua disponibilidade total a aderir a Jesus, inclusive, identificar o próprio destino com o d’Ele e querer partilhar com Ele a prova suprema da morte.
Na Última Ceia, Jesus prediz aos apóstolos que logo partiria e afirma que iria preparar um lugar para eles: “E, para onde eu vou, vós sabeis o caminho” (Jo 14, 4). Tomé intervém e pergunta a Jesus: “Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?” (Jo 14, 5). Essa pergunta, na verdade, o coloca a um nível de entendimento baixo, mas, é a oportunidade da qual Jesus se utiliza para dizer uma de suas mais belas auto-definições: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,5). Tomé é, portanto, o primeiro a receber esta revelação, válida para todos. A pergunta de Tomé confere a todos também o direito de perguntar a Jesus aquilo que não se compreendeu ainda. Franqueza que retrata o verdadeiro modo de rezar, quando se exprime a capacidade insuficiente de compreender e se coloca na atitude confiante de quem espera respostas de quem é capaz de as dar.
A passagem mais famosa da vida de São Tomé, no entanto, diz respeito à sua incredulidade diante da
ressurreição de Jesus, que aparecera aos demais apóstolos em sua ausência. Sua conhecida frase
“Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos
e a minha mão no seu peito, não acredito” (Jo 20, 25).
Por meio dessa atitude de Tomé, sobressai
a convicção de que Jesus tornara-se já reconhecível não tanto pelo rosto quanto pelas chagas.
Nisto São Tomé não se enganou. Oito dias depois, Jesus aparece novamente para os discípulos e
com eles estava Tomé, que ouve estupefato Jesus lhe dizer
“Põe teu dedo aqui e vê minhas mãos!
Estende tua mão e põe-na no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!” (Jo 20, 27).
Jesus havia
escutado aquelas palavras incrédulas ditas por Tomé, que agora, ao encontrar-se com o Senhor é
capaz de exprimir a mais maravilhosa profissão de fé de todo o Evangelho “Meu Senhor e me Deus!”
(Jo 20, 28).
Tomé caminhou com Jesus: foi discípulo, tornou-se apóstolo, aprendeu com o Mestre, entristeceu-se com a Sua morte, encontrou-se com Cristo Ressuscitado. Como os outros apóstolos, recebeu o Espírito Santo em Pentecostes e assumiu para si a missão de anunciar o Reino de Deus. E o fez em terras distantes. Obediente ao pedido de Jesus “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16, 15), Tomé partiu - assim como os outros discípulos (Mc 15, 20).
Segundo uma antiga tradição da Igreja, Tomé evangelizou primeiro a Síria e a Pérsia e depois a Índia, onde estabeleceu raízes, criou laços, tornando-se indiano, por convicção, opção e amor. O maior dom que São Tomé ofereceu à nascente comunidade cristã da Índia foi o vínculo autêntico e direto com as próprias origens da fé cristã, com os apóstolos e o seu ofício, e com Jerusalém. Dom Servilho relata sobre a existência de uma lenda segundo a qual os primeiros jesuítas que chegaram ao Brasil - dentre eles o padre José de Anchieta - estavam convencidos que Tomé havia passado pelo Brasil em sua viagem às Índias, pois eles notaram uma lenda entre os nativos que um grande mensageiro de Deus teria passado em tempos históricos, cujo nome era Sumé - uma corruptela de Tomé. Embora não passe de lenda, a estória pode servir de alerta de que para crer não é preciso ver afinal “Felizes aqueles que crêem sem ter visto!” (Jo 20, 29).
Que a exemplo de São Tomé, cuja festa é celebrada no dia 03 de julho, a Igreja e cada cristão de modo particular, possam reforçar sempre mais a fé em Jesus Cristo e que sua coragem, lealdade, destemor e franqueza inspirem o seu modo de ser cristão.
Renata Maria Bourguignon Torres
Equipe do Site
Fontes
BENTO XVI, Papa. Audiência Geral – 27 de Setembro de 2006. Disponível em http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2006/documents/hf_ben-xvi_aud_20060927_po.html.Capturado em 25/06/09.
CONTI, Dom Servilio, IMC. O Santo do Dia. Vozes: Rio de Janeiro, 2001.
INTERVENÇÃO SOBRE SÃO TOMÉ. Disponível em
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/orientchurch/interventi/rc_con_corient_doc_20021207_pont-ist-orient_po.html. Capturado em 25/06/09OS APÓSTOLOS E A PROPAGAÇÃO DA IGREJA. Disponível em http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=IGREJA&id=igr0045. Capturado em 25/06/09.
TROMBETTA, Por Pe. Mário Reis. São Tomé, apóstolo. Disponível em http://www.diocesefranca.org.br/boletim/jul2008/bd-materia2.html. Capturado em 25/06/09.
