"Nós também somos enviados, nós também somos instruídos para a missão e chamados ao apostolado. Precisamos nos dispor a percorrer as estradas
empoeiradas da Judéia de nossa sociedade cheia de relativismo"
Quinta-feira, 09/07/2009
Jesus reuniu seus doze discípulos, conferiu-lhes o poder de expulsar os espíritos imundos e de curar todo mal e toda enfermidade. E, após lhes ter dado algumas instruções, enviou-os em missão (Lc 9, 1ss; Mt 10, 1-5; Mc 3, 13-15. 6, 7).
Demonstrando cuidado com o que fazer na missão, Jesus ensina como fazer e, dando-lhes poder, mostra-lhes também a finalidade deste poder. Ensina-lhes com palavras e, sobretudo, com exemplo; são seus apóstolos, o que quer dizer enviados, e precisam assumir a postura de mensageiros de Deus.
É preciso primeiro cuidar dos mais próximos, as ovelhas que se perderam da casa de Israel; anunciar que o reino de Deus está próximo, é a mensagem principal; curar os doentes, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os demônios, porque aquilo que se recebe de graça, de graça deve ser dado; não se preocupar com o que vestir nem com o que comer, pois o operário será digno de seu sustento; abençoar a casa e, portanto, a família daqueles que recebem a mensagem e agir com a simplicidade da pomba e a prudência da serpente para não cair nas garras dos lobos. Essas são as instruções dadas para todos os enviados, os Apóstolos (Mt 10, 1ss).
Conforme o pensamento da época, as principais condições para ser apóstolo são: ter participado da vida pública de Jesus e ser testemunha da ressurreição (At 1,21s; 2,32). Por isso, contemporâneos de Paulo negavam-lhe a categoria de apóstolo, pois não pertencia aos doze, nem havia compartilhado da vida pública do Senhor (1Cor 9,1-2; 15,3-9; 2Cor 11,5; 11,13; 12,11-13). Mas Paulo insiste que também viu o Ressuscitado, dele recebeu o Evangelho e a investidura no apostolado. Por isso, ele se considera apóstolo de Cristo (1Cor 1,1; 2Cor 1,1; Gl 1,1; Ef 1,1) distinguindo-se dos apóstolos (enviados) das comunidades (Fl 2,25; 4,3; 2Cor 8,23; Rm 16,7), ainda que não pertença aos doze e não seja testemunha da ressurreição (1Cor 12,28; 15,7-11; Gl 1,15s). Pedro aparece como o primeiro dos apóstolos (Lc 6,14; 12,41; 8,45; 9,32-33). Ele é a “rocha” e o portador das chaves da casa de Deus (Mt 16,17-18; Jo 1,41-42); é a primeira testemunha da ressurreição (Jo 20,6).
No entanto, nós também somos enviados, nós também somos instruídos para a missão e chamados ao apostolado. Somos capacitados pelo Espírito Santo, portanto temos as condições necessárias para levar a mensagem do reino de Deus, mas precisamos nos habilitar para esta missão, precisamos nos dispor a percorrer as estradas empoeiradas da Judéia de nossa sociedade cheia de relativismo e satisfação com os prazeres momentâneos da vida moderna. É urgente a nossa adesão, seguindo sempre as instruções do Mestre e esperando no seu poder. Poder, inclusive, de corrigir nossas falhas e “sacudi até mesmo o pó” de nossa falta de comprometimento com seus ensinamentos.
Começando por nossa casa, pois “quem não cuida dos seus, principalmente dos de sua casa, negou a fé e é pior que o infiel” (1Tm 5, 8), precisamos nos entregar cada dia, cada instante, nas mãos do Senhor para não sucumbirmos ao desânimo do reconhecimento de nossas fraquezas, nem a auto-suficiência que nos faz crer apenas em nossas próprias forças. Como Pedro, que negou Jesus, Paulo, que O perseguiu, Tiago e João, que queriam ser os primeiros, Tomé, que só acreditou vendo, somos também covardes, perseguidores, arrogantes e desconfiados, mas também somos destinados ao amor de Deus e à sua benevolência, precisamos obedecer a ordem do envio, precisamos ser dóceis às instruções do Senhor.
Francisco Herbet Bezerra de Menezes.
Equipe do Site.
