"A tradição fundamenta-se em testemunhos muito antigos para aclamar S. Joaquim e Santa Ana como pais de Maria, a Mãe de Deus"
Domingo, 26/07/2009
Se tivéssemos que cumprir o aviso de São Pedro Damião (Doutor da Igreja, Cardeal de Óstia, século XI), devíamos considerar desprezível e inútil qualquer curiosidade para saber sobre as coisas que os evangelistas não julgaram oportuno relacionar, e, em particular, sobre os pais da Bem-aventurada Virgem Maria. A tradição, contudo, fundamenta-se em testemunhos muito antigos para aclamar S. Joaquim e Santa Ana como pais de Maria, a Mãe de Deus. É verdade que esta tradição parece descansar, em última instância, sobre o chamado "Evangelho de Tiago", o "Evangelho da Natividade da Bem-aventurada Maria", e o pseudo-Mateus, ou "Livro da Natividade da Virgem e da Infância do Salvador”, e essa origem é susceptível de fazer despertar suspeitas bem fundamentadas. Deve-se ter em mente, porém, que o caráter apócrifo desses textos, ou seja, a partir da sua rejeição canônica (oficial), não significa que não se podem acatar algumas das suas afirmações. De fato, mesmo com injustificados e lendários fatos, contêm alguns dados históricos emprestados de tradições ou documentos confiáveis, e, embora seja difícil distinguir neles o joio do trigo, seria imprudente rejeitar totalmente o conjunto da obra.
A tradição também diz que Joaquim e Ana não tinham filhos e, por isso, eram considerados abandonados por Deus. Quando em uma festa, Joaquim apresentou-se para oferecer sacrifícios no templo e foi repelido por um certo Ruben sob o pretexto de que os homens sem filhos eram indignos de ser admitidos na cerimônia. Joaquim ficou curvado de tristeza e não voltou para casa, mas foi para as montanhas para fazer sua queixa a Deus na solidão. Também Ana (Hannah, em hebraico, graça) entendido o motivo da ausência prolongada do marido, clamou ao Senhor, para tirar-lhe da maldição de esterilidade, prometendo dedicar o seu filho ao serviço de Deus. Suas preces foram ouvidas e um anjo veio a Ana e disse: "Hannah, o Senhor tem olhado tuas lágrimas; tu poderás conceber e dar à luz e o fruto do teu ventre será venerado por todo o mundo". O anjo fez a mesma promessa a Joaquim, que voltou para sua esposa. Ana deu à luz uma filha a quem chamou Miriam (Maria).
O primeiro culto a Santa Ana é atestado pelo fato de, em meados do século VI, o imperador Justiniano I ter construído um santuário dedicado a ela em Constantinopla, mas há relatos de culto desde o século IV. A devoção foi provavelmente introduzida em Roma pelo Papa Constantino (708-715). Existem duas representações do século VIII de Santa Ana nos afrescos da igreja de S. Maria Antiqua, notavelmente ela é mencionada em uma lista de relíquias pertencentes a Sto. Ângelo e sabe-se que o Papa São Leão III (795-816) presenteou com uma túnica, bordada com a Anunciação e São Joaquim e Santa Ana, a imagem de Santa Maria Maior. Uma igreja, conhecida em várias épocas como Santa Maria, Santa Maria ubi nata est, Santa Maria de Probatica, Santa Probatica, Santa Ana, foi construída durante o século IV, possivelmente por Santa Helena, no local da casa de São Joaquim e Santa Ana, próximo à piscina de Probatica (Betesda em hebraico) e seus túmulos foram venerados até o final do século IX, quando a igreja foi transformada em uma escola muçulmana. A cripta, que anteriormente continha os santos túmulos foi redescoberta em 18 de março de 1889.
O Ofício grego de Santa Ana foi composto por São Theophanes (817), mas peças mais antigas do Ofício são atribuídas a Anatolius de Bizâncio (458). Sua festa é celebrada no Oriente no dia 25 de julho, que poderá ser o dia da dedicação da sua primeira igreja em Constantinopla ou o aniversário da chegada de suas supostas relíquias em Constantinopla (710).
S. Joaquim foi honrado muito cedo pelos gregos, que celebravam sua festa no dia seguinte ao da Natividade da Santíssima Virgem; os latinos, no entanto, foram lentos para admiti-lo em seu calendário, onde se encontrou lugar, por vezes, em 16 de setembro e, por vezes, em 09 de dezembro. Atribuído por Júlio II a 20 de Março, foi suprimida a solenidade cerca de cinqüenta anos depois, restaurada por Gregório XV (1622), fixada por Clemente XII (1738) sobre o domingo depois da Assunção, e, finalmente, elevado à categoria do rito duplo de segunda classe por Leão XIII (1° agosto de 1879). Em 1913, a Igreja latina determinou que os avós de Jesus Cristo fossem celebrados juntos, no dia 26 de julho.
Francisco Herbet Bezerra de Menezes
Equipe do Site
Fontes:
Publicação e informações escritas por Frederick G. Holweck. Transcritas por Paul T. Crowley. In Memoriam, Sra. Margaret Crowley & Sra. Margaret McHugh. Enciclopédia Católica, volume I, publicados em 1907. Nova York: Robert Appleton Company. Aprovação eclesiástica: Nihil Obstat, 1° de março de 1907. Remy Lafort, STD, Censor. Imprimatur. Cardeal John Farley, Arcebispo de Nova York.
