'Senhor fazei-me um instrumento de vossa paz!'
Ser pequeno para ser grande

Os últimos serão os primeiros (Mc 9, 30-37)
Sábado, 19/09/2009


A bíblia está cheia de exemplos de últimos que se tornaram primeiros, de menores que foram grandes. Desde José, filho de Jacó, que foi rejeitado pelos irmãos, vendido como escravo e se tornou governador do Egito (Gn 37, ss); passando por Moisés, uma criança que tinha sua sentença de morte decretada já antes de nascer e foi o grande guia da libertação de seu povo (Ex 1, ss); Davi, o último dos filhos de Jessé, que é conhecido como o maior rei de Israel, aquele que unificou as doze tribos e fortaleceu a nação israelita (I Sm 16, ss); até Jesus, o filho do carpinteiro, aquele que seus familiares não conseguiam reconhecer de onde vinha tanta autoridade e sabedoria (Mc 6,3); Ele, o nosso salvador.

Quantos juízes e profetas não foram retirados das famílias mais simples dos israelitas e, mesmo destas, quantos não eram considerados os últimos, os menores? Quantas vezes Deus “exaltou os humildes” (Lc 1,52)?

Na lógica da nossa sociedade parece difícil entender essas escolhas, parece difícil entender que “se alguém quer ser o primeiro, deve procurar ser o último de todos e o servo de todos” (Mc 9,35). Contudo, não parece que Jesus queira nos ensinar a sermos os últimos ou os menores simplesmente por desprezo de nós mesmos, mas, sobretudo, porque Ele nos quer vencedores, grandes e primeiros. Para tanto, nos ensina como alcançar esse objetivo com seu exemplo de humildade de coração. O mestre que lava os pés dos discípulos não se torna menor, mas mostra sua grandeza.

Não se pode ver nas palavras de Jesus um incentivo ao conformismo, mas uma verdadeira lição de auto-estima. Somente quem se ama muito pode cumprir integralmente a lei e os profetas, que se resume em amar a Deus com toda força e entendimento e ao próximo com a si mesmo. Em muitas ocasiões como essa que estamos refletindo, o Senhor nos ensina o valor que temos e os meios que Ele dispôs para alcançarmos nossos objetivos. “Se alguém quer ser”, é preciso seguir esses ensinamentos, pois constantemente corre-se o risco de, querendo ser o primeiro e esquecendo os outros, não se chegar a lugar algum. E, quando muito, se consegue “ter” algo e, certamente, não fomos criados e redimidos de nossas faltas apenas para isso.

“Todo o que recebe um destes meninos em meu nome, é a mim que recebe; e todo o que recebe a mim, não me recebe, mas aquele que me enviou” (Mc 9,37). Só quem tem certeza de seu valor pode entender que uma criança pode representar o seu Deus, que sendo servidor pode ser mestre. Somente quem se dispõe a ser o último e servir a todos pode chegar a ser o primeiro. Se na lógica de Jesus uma criancinha pode representá-lo e para ser grande é preciso se fazer pequeno e se a história cristã mostra a variedade dos pequenos que se tornaram grandes, resta desejar que a misericórdia de Deus permita mais que o desejo de ser grande, a compreensão da verdadeira grandeza daquele que, sendo tudo, se fez nada para mostrar como encontrá-lo nos pequenos, frágeis e humildes; como encontrá-lo nos últimos que serão os primeiros. “Meus queridos irmãos, escutai: não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?” (Tg 2,5).

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