Quarta-feira, 28/10/2009
Deus nos criou livres e nos concedeu o dom da liberdade. Podemos escolher uma coisa ou outra, fazer o bem ou o mal, cumprir ou não os preceitos do Senhor. Somos livres! No entanto, Deus também nos deu a razão e a inteligência.
O livro do Gênesis nos ensina que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. E, como diz D. Eusébio Scheid “... ser imagem e semelhança de Deus é o nosso primeiro e mais importante título, o de maior honra e nobreza...”
Fomos criados para fazer o bem, considerando que somos a imagem e semelhança de Deus. Contudo, o exercício da liberdade não implica o direito de fazer tudo apenas por satisfação do nosso próprio interesse (CIC 1152). Por sermos imagem e semelhança de Deus temos inscrito em nosso coração o desejo do Criador, que nos impulsiona a fazer o bem (CIC 27).
Quando optamos por aquilo que não é correto, estamos abusando da liberdade que Deus nos concedeu. Mergulhamos numa inversão de valores que a própria razão não consegue explicar e nos tornamos escravos das escolhas que fazemos.
A liberdade deve obedecer a razão
Perde-se o domínio de si mesmo quando a liberdade não obedece ao controle da razão. Amar o próximo como a si mesmo é o segundo grande mandamento, diz Jesus (Mt 22, 39). Alguém que não ama a si mesmo não consegue dominar seus próprios instintos, tem comportamento desajustado, dominado pelos vícios, não tem limites, não tem equilíbrio, torna-se dependente.
Quando tomamos consciência da situação de perdição e reconhecemos o erro cometido, vem o arrependimento. Arrependimento da dependência das coisas exteriores, alienação, solidão, miséria. Na parábola do “Filho Pródigo” (Lc 15, 11ss), o filho perdido quando chegou “ao fundo do poço”, reconheceu que a verdadeira vida é estar junto do Pai, onde filhos e servos são felizes, ou seja, a liberdade está em viver segundo os valores evangélicos, que são bem diferentes dos valores propostos pelo mundo.
Ao contrário do que se imagina, a verdadeira liberdade está em caminhar observando os ensinamentos cristãos (Mt 28, 20), está em renunciar quaisquer que sejam os valores que colocamos no lugar só devido a Deus, Senhor de todas as coisas. Exercer a liberdade é poder, com toda a confiança, chamar a Deus de Pai, é saber que somos amados por Ele de maneira infinda, porque amar é da própria essência de Deus.
Jesus nos ensina que se conhecermos a verdade seremos livres (Jo 8, 32). Portanto, é preparando o espírito com os ensinamentos de Deus que se começa a ter liberdade, pois ela começa dentro de cada um, na mente e no coração. A verdade nos ensina a eliminar todo conflito interior: os medos, as ansiedades, os ódios, os rancores, etc. É lembrar-se da imagem do livro do Gênesis: não comer do fruto proibido (Gn 2, 16s) e continuar passeando com Deus na brisa da tarde (Gn 3, 8ss).
O mau uso da liberdade e o pecado
Todos nós pecamos (1Jo 1,8). Qualquer fato que contrarie a vontade de Deus é pecado (CIC 1849) e tem origem no coração humano (Mt 15, 18-19). Portanto, são as más inclinações que tornam coração impuro. De um coração impuro surgem os outros pecados.
O pecado é a recusa do amor de Deus. Ele, que continua amando e esperando para perdoar e devolver a dignidade perdida (Lc 15, 20).
Sem Deus, passamos pela vida como aquele que procura agarrar uma sombra ou perseguir o vento... (Eclo 34,2). Sem Ele nada somos e nada podemos; tudo é ilusório. Jesus é claro quando afirma ser a videira e nós os ramos. Na videira os ramos recebem da seiva de Deus. Em outras palavras, recebem da seiva de Deus e produzem frutos de amor. Fora da videira, o ramo seca e só serve para ser lançado ao fogo (Jo 15, 4-7).
Jesus veio revelar esse amor incondicional de Deus por nós. Agora que sabemos, não é mais possível recusar esse amor sem a mancha do pecado, não há mais desculpas (Jo 15, 22-24).
A misericórdia de Deus
Jesus veio para reconciliar a humanidade com o Pai, porém a reconciliação com Deus passa pela reconciliação com os irmãos (Mt 5,23s).
Pela parte de Deus, o perdão já está dado, pois Ele nunca muda e seu amor por nós é eterno. A reconciliação não depende só de uma parte, mas, de ambas. Se Deus nunca deixou de nos amar, a reconciliação só depende do homem, porque Deus não pode impor coisa alguma que entre em conflito com algo que nos foi dado. E Ele nos deu o dom da liberdade. Portanto, a reconciliação depende apenas de nossa disposição de querer, uma vez que seu Filho veio ao mundo para derrubar o muro de separação que havia entre judeus e gentios, símbolo da inimizade. Ato que foi consumado por meio da cruz (Ef 1, 7-9; 2, 14-18).
Por isso, somos chamados a ser membros do Corpo místico de Cristo (1Co, 6,15), tornando-nos assim novas criaturas, pela reconciliação (2Co 5, 17-19).
Toda iniciativa parte de Deus. Pois o Amor ama mesmo que não seja amado. Este é o mistério da misericórdia de Deus: perdoar sempre, sem questionar o motivo pelo qual pecamos.
MSVieira
Equipe do Site
Referências Bibliográficas
Citações, Bíblia de Jerusalém
CIC - Catecismo da Igreja Católica
www.amaivos.uol.com.br, coluna D. Eusébio Scheid
