'Senhor fazei-me um instrumento de vossa paz!'
A unção dos enfermos


Quarta-feira, 11/11/2009


A vida é dom de Deus, é dom do Amor. Ele é a própria Fonte de Vida e através do seu sopro nos deu a vida eterna (Gn 2,7). Viver, portanto, é participar da vida divina. No entanto, a natureza humana é frágil, impotente, limitada. Um corpo antes, saudável, forte, independente, capaz de trabalhar para ganhar o pão de cada dia; na velhice ou na doença já não obedece mais, torna-se dependente do auxílio de alguém com saúde. Perde a liberdade que lhe é própria, e que é uma dádiva divina, e se sujeita a boa vontade de outros.

É na doença que o ser humano percebe a sua fraqueza e finitude. A doença é a demonstração de nossas limitações físicas de seres humanos que somos, habitando um corpo destinado a morrer (Gn 3, 19).

Mas, se por um lado somos limitados e sujeitos ao tempo, por outro, ansiamos pela imortalidade (Sb 2, 23- 24) que nos foi prometida por Cristo (Jo 10, 28- 29).

É certo que a natureza humana está sujeita a sofrimentos físicos, doenças, envelhecimento e por último a temível morte, no entanto, nossa alma anseia pela paz, felicidade e vida eterna.

Cuidado e compaixão pelo doente

Ninguém, em sã consciência, espera pelo dia da morte. Basta olhar em sua volta: em casa, na igreja, no bairro, na praia, etc. Sabemos que ela vem, mas, ninguém está preocupado com ela. Todos estão muito ocupados com a vida e em como viver cada dia melhor. Contudo, num dia inesperado, uma doença ou uma fatalidade cruza o caminho da pessoa. Ontem, era só alegria, liberdade, independência; hoje, a realidade é outra, sofrimento, dor, isolamento, angústia e aflição.

Essa realidade, experimentada com intensidade, foi transcrita nas Sagradas Escrituras. Consolar os que choram ou visitar alguém doente é um ato de caridade, bem visto pelo Senhor (Eclo 7, 38-39). Na visão de Jesus, o doente merece todo zelo e carinho. O bem que se faz ao doente, é como se fizesse ao próprio Cristo (Mt 25, 34-36).

Deus não aprecia a doença, prova disso é que Jesus curou muitas enfermidades (Mt 14,14; 15,30; 19,2; 21,14), e fez da cura aos doentes uma missão para os seus discípulos (Mt 10, 1. 8; Lc 9, 2).

Uma enfermidade grave não só abala a pessoa, mas todos aqueles que lhe são próximos. Como já foi dito, faz parte da realidade humana, mas raramente se encara com naturalidade, pois quem não gosta de viver neste mundo criado por Deus? A doença nos tira a alegria e em seu lugar, começa a saudade por aqueles que amamos. Parece que o tempo pára. Os dias e as noites se tornam mais longos. A solidão nos abate. Mesmo aqueles mais arredios voltam seu pensamento para o infinito na busca do consolo divino, e sem perceber refletem sobre o sentido que deram as suas vidas.

E nesse momento a Igreja vai ao encontro do doente com um sinal de cura espiritual e corporal através do Sacramento da Unção dos Enfermos. Assim diz Tiago: “Está alguém enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá. Se ele cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados.” (Tg 5, 14- 15).

Assim declara a Igreja com relação a este Sacramento: “Com a sagrada unção dos enfermos e a oração dos presbíteros, toda a Igreja recomenda os doentes ao Senhor sofredor e glorificado, para que ele os alivie e salve, e exorta-os a unirem-se livremente à Paixão e Morte de Cristo, e a contribuírem assim para o bem do Povo de Deus” (CIC 1499).

Este Sacramento não é ministrado somente quando a pessoa se encontra nos últimos momentos de vida, mas, no momento em que o fiel começa a correr perigo de morte por motivo de doença, debilitação física ou velhice (CIC 1514).

O livro de Jó cita uma passagem que reflete a angústia de alguém que sofre com a proximidade da morte: “Esperava a felicidade e veio a desgraça, esperava a luz e vieram as trevas” (Jó 30, 26). E, no Salmo: “Palpita-me no peito o coração, invade-me um pavor de morte. Apoderam-se de mim o terror e o medo, e o pavor me assalta” (Sl 54, 5-6).

O efeito maior da Unção dos Enfermos é o recebimento da graça do Espírito Santo, conforto divino que aplaca a angústia da alma e que infunde no doente a paz e confiança (CIC 1520), fazendo com que ele se una mais intimamente à Paixão de Cristo (CIC 1521).

A Unção dos Enfermos completa nossa conformação com a Morte e Ressurreição de Cristo, como o Batismo começou a fazê-lo. E o termo das sagradas unções que acompanham toda a vida cristã: a do Batismo, que selou em nós a nova vida; a da Confirmação, que nos fortificou para o combate desta vida. Esta derradeira Unção fortalece o fim de nossa vida terrestre como que de um sólido baluarte para enfrentar as últimas lutas antes da entrada na casa do Pai (CIC 1523).

MSVieira

Bibliografia

Citações, Bíblia Ave Maria
CIC - Catecismo da Igreja Católica

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