Quinta-feira, 03/12/2009
A família
O casamento é a união que materializa um sonho de infância, pelo menos para a maioria das jovens. O sonho de constituir uma família começa quando criança, com brincadeiras infantis de boneca, de casinha, ou ouvindo o final feliz das histórias infantis: “Casaram-se e viveram felizes para sempre...” Ou ainda, imitando o dia a dia de sua mãe.
O amor que se dá a uma criança faz com que ela se sinta mais segura e desenvolva o valor e a importância de uma família. Não se pode esquecer também que o sonho de uma criança órfã ou abandonada é se integrar numa família.
Constituir família é um sonho latente no ser humano, é um dom de Deus recebido desde as origens, quando ele mesmo disse: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2,18). Portanto, a família é uma instituição divina criada para a felicidade do homem e da mulher. A família é a base e escola do convívio social e do relacionamento entre pessoas. É na família que se aprende os conceitos morais que vão determinar a personalidade da pessoa durante a sua vida.
Assim vai se formando a História. A família é o fundamento de outra família (Gn 2,24) e estrutura de uma sociedade que, por sua vez, reflete a situação das famílias. Portanto, o amor, a honestidade, a compreensão, relacionamento... Em outras palavras, o caráter que trazemos da família é refletido na sociedade.
O matrimônio
O casamento começa com uma troca de olhar, um encontro, uma amizade, e um tempo de namoro. O namoro é a fase em que os dois se aprofundam no conhecimento mútuo e percebem se terão afinidades entre si, e se os desentendimentos podem ser facilmente superados. Em outras palavras, aprende-se a perdoar.
A vida conjugal é valorizada quando há um bom relacionamento entre os membros da família, quando há diálogo e respeito à individualidade de cada um. Além disso, o relacionamento na família passa pelo cuidado que um deve ter para com o outro.
O casamento é mais que um contrato, é uma partilha de amor entre o esposo, a esposa, os filhos, os netos.
Felizes aqueles que entendem que o matrimônio é um sacramento e reconhecem a responsabilidade e a missão do cristão no mundo. São os que semeiam e dão testemunho da palavra de Deus por onde passam.
O que nos ensina a Igreja
A primeira vocação do ser humano é amar. Caráter natural inscrito no coração do homem e da mulher, que através do matrimônio formalizam este ato sagrado. Por isso, a doação entre um e outro (amor conjugal) não termina na união dos corpos, mas atinge a própria alma. Pois, os filhos, fruto desta união são queridos e amados por Deus.
A comunhão entre Deus e os homens encontra o seu definitivo cumprimento em Jesus Cristo, o Esposo que ama e se doa como Salvador da humanidade, unindo-a a Si como seu corpo...
Em virtude da sacramentalidade do seu matrimônio, os esposos estão vinculados um ao outro da maneira mais profundamente indissolúvel. A sua pertença recíproca é a representação real, através do sinal sacramental, da mesma relação de Cristo com a Igreja. Familiaris Consortio 13
A responsabilidade conjugal
Ser sinal visível do amor de Deus é a nova responsabilidade dos pais com relação aos seus próprios filhos ou aos adotados. O cuidado com a família vai além da fidelidade entre os esposos, pois seus filhos são também filhos de Deus.
Assim a tarefa fundamental da família é o serviço à vida. É realizar, através da história, a bênção originária do Criador, transmitindo a imagem divina pela geração de homem a homem... A fecundidade do amor conjugal não se restringe somente à procriação dos filhos, mesmo que entendida na dimensão especificamente humana: alarga-se e enriquece-se com todos aqueles frutos da vida moral, espiritual e sobrenatural que o pai e a mãe são chamados a doar aos filhos e, através dos filhos, à Igreja e ao mundo. Familiaris Consortio 28
Indissolubilidade do casamento
Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha (Mt7, 24-25). Muitas vezes ouvimos esta passagem nas celebrações de núpcias e, baseados nela são proferidas excelentes reflexões. No entanto, na primeira dificuldade, a fidelidade prometida para sempre, fica abalada e, o perdão e a reconciliação não são lembrados.
Perguntaram a Jesus se era lícito um marido repudiar a sua mulher. Jesus respondeu que o homem e a mulher se tornam uma só carne e, portanto, o que Deus uniu o homem não separe (Mc 10,6-12). E, em sua 1ª carta aos coríntios, Paulo recomenda a não separação dos casais (1Co 7, 10-11). Por sua vez, a Igreja procura incentivar os casais a viverem segundo os valores cristãos. Familiaris Consortio 20. A seriedade desta sacramento é tal que assim se expressou João Paulo II: "Não existe uma situação tão difícil que não possa ser enfrentada de modo adequado, quando se cultiva um clima de vida cristã coerente. O próprio amor, ferido pelo pecado, também é um amor redimido"
Deus esposo, humanidade esposa
O Senhor sempre quis estar ligado ao seu povo por alianças, mas, com o passar do tempo, Israel, povo escolhido tornou-se infiel. Os profetas admoestaram Israel ensinando que a aliança que Deus fizera com eles não era um pacto qualquer, mas um dom gratuito. Uma relação de amor como a de um esposo que ama a sua esposa.
Esse amor é lembrado quando como uma “noiva”, Israel seguia o Senhor pelo deserto (Jr 2, 2). O tempo passou e a esposa traiu o seu esposo, voltando-se para outros amores e por isso sofre (Jr 3, 20-21). O esposo continua fiel e perdoa a sua esposa, mas, é necessário reconquistá-la, falar diretamente ao coração da amada... (Os 2, 16,17b.21-22); porque o eterno amor do esposo não permite ver o seu sofrimento (Is 54, 5-7).
Como é sempre Deus que toma a iniciativa, Ele próprio agirá transformando o homem para que predomine nele o amor e o conhecimento íntimo de Deus (Jr 31, 31-34; Ez 36, 24-28) e, com Jesus Cristo a aliança se concretiza de uma vez por todas, pois, o Filho de Deus se encarnou para dar prosseguimento à obra do Pai (CIC 606). Assim, ele desposou a humanidade resgatada, a Igreja, que ele une ao seu Corpo, tornando-a sua esposa.
O amor de Cristo como esposo da Igreja é entendido por Paulo como um grande mistério, porém o mais importante é que cada casal mantenha um amor mútuo (Ef 5, 32-33).
Reflexões
Deus criou o homem por amor e, inscreveu em seu coração a vocação para amar. O matrimônio encontra-se desde o princípio nos planos de Deus por ser na família o local da procriação e da educação dos filhos.
O casamento é uma união abençoada por Deus, por isso, deve ser vivido com base nos princípios cristãos de santidade, pureza, confiança, amor, compreensão, renúncia, etc.
A presença de Jesus nas bodas em Caná é vista como sinal eficaz da presença de Cristo no enlace matrimonial. CIC 1613
O casamento é símbolo da aliança de Deus com Israel e o vinho símbolo da alegria. Jesus é quem renova as núpcias de Deus com a humanidade com o Sangue da nova e eterna Aliança, simbolizado pelo vinho novo.
A presença de Jesus nas bodas de Caná sugere ainda que, quando algo não está bem no casamento, recorre-se ao Filho de Deus que faz com que a alegria volte a fazer parte daquele lar ungindo todos da família com o vinho consagrado que é o Espírito Santo. Podemos concluir também que a família é o espaço sagrado de Deus, e foi nesse ambiente que Jesus fez o seu primeiro sinal (Jo 2, 11).
MSVieira
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Bibliografia
Bíblia de Jerusalém
CIC - Catecismo da Igreja Católica
Exortação Apostólica Familiaris Consortio
Nodari, Paulo Cesar – Os sacramentos da Igreja – Paulus 2009
