“
A história de Guadalupe ”
Quarta-feira, 14/12/2009
Dos diversos nomes da mãe do Filho de Deus, Nossa Senhora, o que sempre me chamava mais a atenção, quando eu era mais novo, quase criança, era o de Nossa Senhora de Guadalupe. Até que um dia descobri um livro sobre ela: Nossa Senhora de Guadalupe.
Li-o com avidez e consegui saber então a história dessa Nossa Senhora que é a padroeira da Cidade do México, do México e da América Latina. Li também as últimas análises da NASA sobre o manto do índio Juan Diego.
E foi assim:
Desde as primeiras expedições dos espanhóis, por volta de 1517, os padres franciscanos estavam no México, para ensinar a religião cristã e converter os indígenas.
Em 1531, dez anos depois da destruição da principal cidade dos astecas, muitos deles tinham sido batizados e Juan Diego, - Cuauhltólmac (o que fala como águia) - era um deles. Aos domingos lá ia ele, de sua aldeia até o colégio dos frades franciscanos para aprender sobre a nova religião, sobre a mãe do Filho de Deus e outras coisas mais. Pensando nessas coisas e nas lutas das quais havia participado há cerca de 10 anos, quando seus braços ainda eram fortes, caminhava pela madrugada, antes do sol nascer, pois sua aldeia ficava muito distante do colégio.
Há poucos meses havia chegado o “governador” bispo no colégio e Juan Diego nem o conhecia. Só pouca gente rica o conhecia, os índios não.
Aos poucos, um primeiro sinal da manhã ia aparecendo na colina de Tepeyac que ele ia contornando. Olhando para lá, começou a ouvir um belíssimo canto de pássaros – ele nunca tinha ouvido coisa tão bela – e foi se dirigindo nessa direção, para ver que pássaros cantavam assim. O sol começava a mostrar seus primeiros raios e então o canto cessou.
Uma voz meiga o chamou no diminutivo do seu nome, cheia de carinho e intimidade, com respeito, que ele nem se perturbou:
- Juantzin, Juan Diegotzin, para onde vais?
Ele respondeu e Ela então lhe confiou a sua primeira missão:
- Desejo que aqui seja construída minha casinha, pois será aqui que mostrarei meu Filho e o exaltarei para dá-lo ao mundo com meu amor e meu olhar compassivo. Vai ao palácio do bispo do México, diga-lhe que o enviei e que me providencie uma casinha aqui.
Ele foi e, após várias tentativas e o sol já alto, conseguiu ser recebido por Dom Juan de Zumárraga que o ouviu e o despediu, mandando-o voltar outro dia, no qual o ouviria e estudaria o assunto.
Juan Diego voltou pelo mesmo caminho, desolado, e foi contar o que tinha acontecido à Senhora, pedindo-lhe que enviasse um mais bem apessoado que ele para falar com o “governador” dos padres. Ela o ouviu e o consolou e depois mandou que no outro dia ele voltasse ao bispo e lhe dissesse que era Ela, Nossa Senhora, que queria que ali fosse construída a casinha.
Apresentou-se no outro dia, pela segunda vez ao bispo e este o ouviu, mas despachou-o dizendo que queria dela um sinal, para que acreditasse. Ele foi e Ela mandou que ele voltasse no outro dia cedo, que lhe daria o sinal para levar ao bispo.
Mas, em casa, o patriarca da família, o seu tio, estava doente e Juan Diego teve que ir procurar um médico, no outro dia pela manhã, pois a aldeia era longe. Após os exames, o médico concluiu que a doença era mortal. O tio lhe pediu então para que, no dia seguinte, ele fosse buscar o padre a fim de que o tio não morresse sem se confessar. E ele foi.
Ao passar perto da colina de Tepeyac, procurou ir por outro caminho, para que ela não o parasse, mas a Mãe do Céu o atalhou e lhe disse que o seu tio não iria morrer ainda por aquela doença. E o mandou colher flores no alto da colina.
Era dezembro, época em que o gelo não deixava crescer flores e o local era de muitas pedras, cáctus e espinheiros, não poderia ter flores. Mas ele foi e ficou maravilhado. Colheu muitas e as levou para Ela, que as arrumou e mandou que ele levasse ao bispo.
- Vai, leva as flores na tua tilma (espécie de manto) e somente as mostre ao senhor bispo, para que ele acredite e construa aqui a minha casinha para que aqui eu possa escutar meus filhos.
Os serviçais do bispo não o queriam receber, mas depois de o sol já estar bem alto perceberam algo diferente nas flores e o encaminharam ao bispo. Refletindo nos problemas a resolver, o bispo o recebeu e quando Juan Diego lhe entregou as flores, fora de época, mas belíssimas, frescas, orvalhadas, foi percebendo também que uma imagem ficava impressa no manto do índio e era a imagem da Santa Mãe de Deus. O bispo caiu de joelhos e todos os que os acompanhavam. Mantiveram o índio até o outro dia, quando ele os levou à colina de Tepeyac para mostrar onde deveria ser construída a igreja, na qual o manto está até hoje.
Os estudos feitos no manto do índio Juan Diego, as análises que a NASA efetuou, chegaram a conclusões incríveis: o tecido que se deterioraria em 20, 30 anos, continua em perfeitas condições; ele se mantém a uma temperatura de 36,5 graus, que é a temperatura do corpo humano; as tintas da pintura não foram reconhecidas de nenhum tipo e lugar da terra; o manto da Senhora contém as estrelas que estavam no céu do México naquele dia; os olhos em tamanho pequeniníssimo, refletem a cena quando o índio desdobra o manto para dar as flores ao bispo e muitas coisas mais, que conferem a veracidade ao fato.
Djalma Magnago
Membro da Paróquia São Francisco de Assis
Referências:
Susin, Frei Luiz Carlos. Aqui se conta – História de Nossa Senhora de Guadalupe
Sgarbossa, Mario. Giovannini, Luigi. Um santo para cada dia.
