'Senhor fazei-me um instrumento de vossa paz!'
Que rei buscamos?


Sábado, 16/01/2010


Os israelitas buscavam um rei porque, como eles mesmos disseram a Samuel: “Queremos um rei, pois queremos ser como todas as outras nações.” (1Sm 8, 19-20). Samuel tenta adverti-los sobre as conseqüências desse desejo, mas eles insistem e o Senhor diz a Samuel que lhes faça a vontade.

Que rei buscamos para sermos iguais aos outros? Quantas vezes nos sentimos atraídos por situações que, em nosso íntimo, percebemos que podem não agradar ao Senhor? Não seriam essas percepções interiores (que, às vezes, chamamos de tabus) advertências como as que Samuel fez ao povo de Israel? Vejam: “Estes serão os direitos do rei que reinará sobre vós: Tomará vossos filhos e os encarregará dos seus carros de guerra e dos seus cavalos e os fará correr à frente do seu carro. Fará deles chefes de mil, e de cinquenta homens, e os empregará em suas lavouras e em suas colheitas, na fabricação de suas armas e de seus carros. Fará de vossas filhas suas perfumistas, cozinheiras e padeiras. Tirará os vossos melhores campos, vinhas e olivais e os dará aos seus funcionários. Das vossas colheitas e das vossas vinhas ele cobrará o dízimo, e o destinará aos seus eunucos e aos seus criados. Tomará também vossos servos e servas, vossos melhores bois e jumentos, e os fará trabalhar para ele. Exigirá o dízimo de vossos rebanhos, e vós sereis seus escravos. Naquele dia, clamareis ao Senhor por causa do rei que vós mesmos escolhestes, mas o Senhor não vos ouvirá”. (1Sm 8, 11-19)

Até quando buscaremos ser iguais aos outros e arriscaremos não mais sermos ouvidos pelo Senhor? Israel acreditou que, sendo “como todas as outras nações”, seria mais feliz e esqueceu-se de ouvir os conselhos do profeta. Também somos como Israel e não acreditamos ou não ouvimos, buscamos a felicidade e nos deixamos levar pela crença hedonista que mistura felicidade e prazer egoísta como sendo a mesma coisa?

É preciso decidir se queremos ser conhecidos como cristãos. Para isso não é preciso sofrer perseguições ou enfrentar o martírio como faziam os primeiros, mas assumir uma postura diferente dentro do ambiente em que vivemos. Talvez seja justamente essa distinção que nos ajudará a discernir se estamos no caminho certo. Mesmo com as “certezas” que os outros nos passam sobre sua maneira “feliz” de viver com seus reis e ídolos, temos que atentar para as escolhas que nos são propostas e, diferente do povo de Israel, devemos escolher ouvir o Senhor. O que não é fácil diante das propagandas que o “mundo” oferece aos nossos jovens e também a nós adultos. Talvez esse seja o nosso martírio, a maneira de sermos perseguidos.

Não queremos ser escravos desses “reis”, nem entregar o dízimo de nossa consciência à libertinagem e à irresponsabilidade. Tantas são as questões que afligem, principalmente, os jovens; tantas notícias estarrecedoras em nossos jornais; tantas idéias absurdas nas novelas e filmes, tantos jovens buscando a alegria de viver se apoiando nas idéias, que não mudam nunca, mas parecem sempre novas, do desrespeito às tradições, aos ensinamentos dos pais, à Igreja. É preciso decidir o caminho a seguir e isso não quer dizer que não pode haver questionamentos, mas as questões e as respostas não podem ser baseadas no amor a nós mesmos, na nossa própria felicidade; há de se querer encontrar o caminho que leva a alegria ao outro. Não devemos esperar sermos totalmente felizes enquanto pessoas, irmãos, bem próximos a nós passam fome, desemprego e todo tipo de injustiça. Enquanto os meios de comunicação se empenham em divulgar idéias de “liberdade” e tentam nos aprisionar no desejo incontrolável de consumir, de realização profissional e sexual, nos expomos ao risco de escolher tudo isso para ser nosso rei e nos afastarmos do verdadeiro Rei.

Vejamos as conseqüências para o povo de Israel. Ouçamos a voz dos profetas. Digamos para o mundo que já temos o nosso Rei. Peçamos a Ele que nos ajude a fazer a escolha certa. Não queremos perder o poder de escolha, mas peçamos sabedoria para não perder o direito à Vida por causa de nossas opções erradas.

Francisco Herbet Bezerra de Menezes
Equipe do Site

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