'Senhor fazei-me um instrumento de vossa paz!'
BÍBLIA, LIVRO DA ALIANÇA DE DEUS COM O SEU POVO

A Bíblia é um dos livros mais lidos de toda a história da humanidade. Antes de nós, milhões de pessoas procuraram e encontraram nestas páginas um sentido para a sua vida. Ela é “Livro da Humanidade” porque seu ensinamento ultrapassa as fronteiras de credo, etnia, língua, ideologias, falando diretamente ao coração humano.

Uma palavra tem a força e o valor daquele que a pronuncia. A palavra humana pode errar e enganar, pois o ser humano está sujeito à fraqueza e não oferece segurança total. A Palavra de Deus não erra nem engana. Por isso, serve para ensinar, corrigir, repreender, educar na justiça.

A Bíblia não caiu pronta do céu. Surgiu como fruto da inspiração divina e da vontade do povo de ser fiel a Deus. Antes de ser escrita, a Bíblia foi vivida, narrada e contada. Ela foi vivida por muitas gerações num esforço perseverante e fiel de colocar Deus em primeiro lugar na vida e na organização social de acordo com a justiça.

Em vista da fidelidade a Deus, o povo foi fazendo uma seleção daqueles escritos que eram considerados de grande importância para a sua caminhada. Assim, surgiu uma “lista” (cânon, norma, Bíblia), reconhecida por todos como sendo expressão da sua fé, das suas convicções, da sua história, das suas leis, do seu culto, da sua missão.

“Discernindo o Cânon das Escrituras, a Igreja discernia e definia sua própria identidade, de maneira que as Escrituras são doravante um espelho no qual a Igreja pode constantemente redescobrir sua identidade e verificar, século após século, a maneira com a qual ela responde sem cessar ao Evangelho e se dispõe ela mesma a ser o meio de transmissão dele”1.

Os padres conciliares, no Concílio Vaticano II, cientes do valor e do significado da Palavra de Deus para a vida da Igreja, no documento Sacrosanctum Concilium destacaram a Liturgia como celebração da história da salvação, que tem como centro e plenitude o mistério pascal de Cristo. A Sagrada Escritura é o anúncio perene do plano divino da salvação e a Liturgia é o lugar privilegiado para fazer a experiência da salvação.

“Este mistério da salvação, transcorrido pela Palavra divina, continua na vida dos homens e mulheres que acolhem a Palavra ‘na obediência da fé’ (Rm 1,16) e por ela são convertidos, iluminados e santificados. A Palavra tem a missão de fecundar a vida da pessoa de fé e ser para ela bênção copiosa”2.

Todo mês é mês da Bíblia, mas a Igreja do Brasil de modo especial propõe o mês de Setembro como “o mês da Bíblia” para estimular a reflexão e o aprofundamento do sentido que estamos dando à Palavra de Deus em nossa vida pessoal, familiar e comunitária.

Este tempo de graça recorda-nos que o estudo da Bíblia deve ser feito com muita sobriedade e disciplina. A leitura feita da Bíblia deve ser realizada como uma conversa com o próprio Deus e a Bíblia deve ser interpretada de acordo com o sentido que lhe dá a comunidade, a Igreja.

Que a Palavra de Deus ilumine nossos corações, seja fonte de paz e esperança para nossas famílias e graça de renovação para nossas comunidades eclesiais.

Frei Adriano Dias do Nascimento, ofm.
Convento da Penha, setembro de 2009.

1 PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA. A Interpretação da Bíblia na Igreja. 5ª edição. São Paulo: Paulinas, 2002. p. 115.
2 Liturgia em Mutirão: subsídios para formação. Brasília: Edições CNBB, 2007. p. 148.

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