Paróquia São Francisco de Assis - Itapoã - Vila Velha.
'Senhor fazei-me um instrumento de vossa paz!'
PALAVRAS DO PAPA

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25/01/2010


- Papa: “no seminário, compreendi que Cristo era mais forte que a tirania”


19/01/2010


- Papa deseja aprofundamento no diálogo com judeus
- Bento XVI: judeus e cristãos devem reforçar vínculos que os unem
- Papa pede mais facilidades para famílias jovens e numerosas


18/01/2010


- Raízes da degradação ambiental são de ordem moral, afirma Papa
- Bento XVI recebe e perdoa a mulher que o fez cair durante a Missa do Galo
- Só os Santos transformam a Igreja e a sociedade, recorda o Papa Bento XVI




Papa: “no seminário, compreendi que Cristo era mais forte que a tirania”

No discurso proferido ao receber a cidadania honorária da cidade de Freising, na Alemanha

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 19 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).– A desolação deixada pelo nazismo, o desejo de renascer no pós-guerra e a certeza de que a tirania pode ser vencida por Cristo: foram estes os sentimentos ligados aos anos de formação no seminário, lembrados com emoção por Bento XVI ao receber, em 16 de janeiro passado, o título de cidadão honorário da cidade de Freising, Alemanha.

Durante o encontro com a delegação da cidade alemã no Vaticano, o Papa falou de sua profunda ligação com essa cidade, a qual se insere na arquidiocese bávara, por ele dirigida no período de 1977 a 1982, até ser nomeado, por João Paulo II, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Esta ligação especial também se expressa na decisão, por Joseph Razinger, de inserir, primeiramente no brasão episcopal e mais tarde no brasão pontifício, os símbolos do “Muro de Freising”.

Em seu discurso improvisado, o Papa lembrou quando, a 3 de fevereiro de 1946, o seminário de Freising reabriu suas portas, após longo período desativado, para um grupo de jovens aspirantes ao sacerdócio.

Parte da casa havia sido transformada num hospital militar para prisioneiros de guerra, mas, apesar das falta de conforto, havia “uma certa euforia”, contou Bento XVI.

Apesar das dificuldades, o Papa disse que “estavam felizes, não apenas porque finalmente haviam se livrado das ameaças da guerra e do domínio nazista, mas também porque eram livres, e, principalmente, porque seguiam no caminho que sentiam ser chamados”.

“Sabíamos que Cristo era mais forte que a tirania, o poder, a ideologia nazista e seus mecanismos de opressão. Sabíamos que o tempo e o futuro pertenciam a Cristo, e sabíamos que Ele havia nos chamado e que precisava de nós.”

Mais tarde, vieram os anos na Escola Superior de Filosofia e Teologia de Freising, da qual Bento XVI se tornaria docente de teologia.

Bento XVI lembrou ainda do dia de sua ordenação sacerdotal, juntamente com o irmão Georg, celebrada na catedral de Freising, a 29 de junho 1951, e das sensações experimentadas ao deitar-se no chão diante do altar, durante as invocações dos santos.

“Quando estava ali, deitado, plenamente consciente de minha miséria, pensei: serei de fato capaz de tudo isso”?

Com a imposição das mãos do ancião cardeal Faulhaber, porém, conscientizou-se de que "era o Senhor que colocava Suas mãos" sobre ele, e que Ele estaria junto, e que Seu amor protegeria e acompanharia.

O pontífice recordou também as torres que se elevam de Domberg e as colinas sobre as quais se ergue a catedral, que "indicam uma altitude diferente daquela que podemos alcançar num avião; indicam a verdadeira altitude, a de Deus”.

No início da audiência, conforme relatado pelo “L'Osservatore Romano", o prefeito de Freising, Thalhammer Dieter, saudou Bento XVI em nome dos presentes, citando Thomas Mann, o qual disse certa vez que “um habitante de Freising não é apenas aquele que ali nasceu. Habitantes de Freising são todos aqueles que, por suas vidas e suas obras, estão ligados a ela e por ela nutrem estima e apreço”.

Neste sentido, continuou, “o Papa é um habitante de Freising”. O prefeito informou, então, que para comemorar o a atribuição da cidadania honorária a Bento XVI, uma estátua de bronze seria colocada na catedral da cidade.


Data da publicação: 20/01/2010 Voltar ao sumário da página


Papa deseja aprofundamento no diálogo com judeus

Antes da sua visita à sinagoga de Roma


CIDADE DO VATICANO, domingo, 17 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI desejou que sua visita de hoje à Grande Sinagoga de Roma abra “uma nova etapa no caminho da concórdia e da amizade entre católicos e judeus”.

Assim afirmou durante a oração do Ângelus, com os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, a quem convidou a confiar o diálogo com os judeus à intercessão de Nossa Senhora.

Esta visita acontece, segundo recordou o Papa, “quase 24 anos depois da histórica visita do venerável João Paulo II”, testificando uma melhoria da relação entre os representantes de ambas as religiões.

“De fato, apesar dos problemas e dificuldades, entre os crentes das duas religiões se respira um clima de grande respeito e diálogo, testificando o quanto esta relação amadureceu”, afirmou o Papa.

Judeus e cristãos, afirmou, têm o “o empenho comum de valorizar o que nos une: a fé no único Deus, antes de tudo, mas também a tutela da vida e da família, a aspiração à justiça social e à paz”.

Durante as saudações finais, o Papa se dirigiu aos peregrinos poloneses presentes na Praça, mostrando sua proximidade das celebrações de hoje em Tarnów (Polônia) do Dia do Judaísmo na Igreja Católica do país.

Neste sentido, desejou um “benévolo encontro das diversas tradições e culturas”, que “leve à compreensão e respeito mútuos”.

Ecumenismo


Bento XVI também se referiu à celebração, a partir de amanhã, da anual Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

“Todos os anos, para os que creem em Cristo, ela constitui um tempo propício para reavivar o espírito ecumênico, para encontrar-se, conhecer-se, rezar e refletir juntos”, afirmou.

Referindo-se ao tema bíblico escolhido para este ano, “Vós sois as testemunhas destas coisas” (Lc 24, 48), recordou que a evangelização “será mais crível quanto mais estivermos unidos em seu amor, como verdadeiros irmãos”.

Por último, o pontífice convidou “as paróquias, comunidades religiosas, associações e movimentos eclesiais a rezarem incessantemente, de modo particular durante as Celebrações Eucarísticas, pela plena unidade dos cristãos”.

Data da publicação: 18/01/2010 Voltar ao sumário da página


Bento XVI: judeus e cristãos devem reforçar vínculos que os unem

Visita à Grande Sinagoga de Roma


ROMA, domingo, 17 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos, a seguir, o conteúdo do discurso que o Papa Bento XVI dirigiu hoje à comunidade judaica de Roma, durante sua visita à Grande Sinagoga.

***

“O Senhor fez grandes coisas por eles”
Grandes coisas fez o Senhor por nós:
nos enchemos de alegria”
(Sl 126)

“Como é bom e agradável
para irmãos viverem unidos”
(Sl 133)

Senhor Rabino Chefe da Comunidade Judaica de Roma,
Senhor Presidente da União das Comunidades Judaicas Italianas,
Senhor Presidente da Comunidade Judaica de Roma,
Senhores Rabinos,
Prezadas Autoridades,
Caros amigos e irmãos,


1. No início do encontro no Templo Maior dos Judeus em Roma, os Salmos que ouvimos nos mostram a atitude espiritual mais autêntica para viver este especial e feliz momento de graça: o louvor ao Senhor, que operou maravilhas por nós, que nos acolheu com seu Hésed, o amor misericordioso, e o agradecimento por nos ter dado a graça de nos encontrarmos tornando mais firmes os laços que nos unem e para continuar a percorrer o caminho da reconciliação e da fraternidade. Desejo expressar primeiramente grande gratidão ao Senhor, Rabino-chefe, Dr. Riccardo di Segni, pelo convite que me fez e pelas significativas palavras que me dirigiu. Agradeço ainda os presidentes da União das Comunidades Judaicas Italianas, Dr. Renzo Rategna, e da Comunidade Judaica de Roma, Sr. Ricardo Pacifici, pelas cordiais expressões que me dirigiram. O meu pensamento se volta às autoridades e a todos os presentes e alcança de modo particular a Comunidade judaica romana e todos que colaboraram para tornar possível o momento de encontro e de amizade que estamos vivendo.

Vindo até vocês pela primeira vez como cristão e como Papa, o meu venerável predecessor João Paulo II, há quase 24 anos, quis oferecer uma contribuição decisiva à consolidação das boas relações entre as nossas comunidades, para superar toda incompreensão e prejuízo. Esta minha visita se insere no caminho traçado, para confirmá-lo e reforçá-lo. Com sentimentos de viva cordialidade me encontro em maio a vocês para manifestar minha estima e afeto que o Bispo e a Igreja de Roma, assim como a inteira Igreja Católica, nutrem por esta Comunidade e com as Comunidades judaicas espalhadas pelo mundo.

2. A doutrina do Concílio Vaticano II representou para os católicos um ponto decisivo de referência constante na atitude e nas relações com o povo judeu, abrindo uma nova e significativa etapa. O evento conciliar deu um impulso decisivo ao compromisso de percorrer um caminho irrevogável de diálogo, de fraternidade e de amizade, caminho que se aprofundou e desenvolveu nestes quarenta anos com passos e gestos importantes e significativos, entre os quais desejo mencionar novamente a histórica visita neste lugar do meu venerável predecessor, no dia 13 de abril de 1986, os numerosos encontros que ele realizou com os expoentes judeus, também durante as viagens apostólicas internacionais, a peregrinação jubilar na Terra Santa no ano 2000, os documentos da Santa Sé que, depois da Declaração Nostra Aetate, ofereceu preciosas orientações para um positivo desenvolvimento nas relações entre católicos e judeus. Também eu, nestes anos de pontificado, quis demonstrar minha proximidade e meu afeto ao povo da Aliança. Conservo bem vivos em meu coração todos os momentos da peregrinação que tive a alegria de realizar na Terra Santa, em maio do ano passado, como ainda os vários encontros com Comunidades e Organizações judaicas, em particular os das sinagogas de Colônia e de Nova Iorque.

Além disso, a Igreja não deixou de condenar as faltas de seus filhos e filhas, pedindo perdão por tudo que pode favorecer de algum modo as chagas do anti-semitismo e do anti-judaísmo (cfr. Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, Nós Recordamos: uma reflexão sobre a Shoah, 16 de março de 1998). Possam essas chagas sararem definitivamente! Volta sempre à memória a oração de pesar no Muro do Templo de Jerusalém do papa João Paulo II, em 26 de março de 2000, que soa verdadeira e sincera no profundo de nosso coração: “Deus de nossos pais, tu escolheste Abraão e a sua descendência para que teu Nome seja levado aos povos: estamos profundamente aflitos pelo comportamento dos que, no curso da história, lhes fizeram sofrer, eles que são teus filhos, e pedindo-Te perdão por isto, queremos comprometer-nos a viver uma fraternidade autêntica com o povo da Aliança”.

3. O passar do tempo nos permite reconhecer no século vinte uma época realmente trágica para a humanidade: guerras sangrentas que semearam destruição, morte e dor como nunca acontecera; ideologias terríveis que tiveram em sua raiz a idolatria do homem, da raça, do estado e que levaram uma vez mais o irmão a matar outro irmão. O drama singular e transtornador da Shoah represente, de certo modo, o vértice de um caminho de ódio que nasce quando o homem esquece o seu Criador e coloca a si mesmo como o centro do universo. Como disse na visita de 28 de maio de 2006 ao campo de concentração de Auschwitz, ainda profundamente marcada em minha mente, “os poderosos do Terceiro Reich queriam massacrar o povo judeu em sua totalidade” e, no fundo, “com o aniquilamento deste povo, queriam matar aquele Deus que chamou Abraão, que falando sobre o Sinai estabeleceu critérios orientadores da humanidade que continuam sempre válidos” (Discurso no campo de Auschwitz-Birkenau: Ensinamentos de Bento XVI, II, 1(2006), p.727).

Neste lugar, como não recordar os judeus romanos que foram retirados de suas casas, diante destes muros, e com horrenda tortura foram mortos em Auschwitz? Como seria possível esquecer os seus rostos, os seus nomes, lágrimas, desespero de homens, mulheres e crianças? O extermínio do povo da Aliança de Moisés, antes anunciado, em seguida sistematicamente programado e realizado na Europa sob o domínio nazista, chegou naquele dia tragicamente também a Roma. Infelizmente, muitos foram indiferentes, todavia muitos, também entre os católicos italianos, sustentados pela fé e pelo ensinamento cristão, reagiram com coragem, abrindo os braços para socorrer os judeus perseguidos e fugitivos, muitas vezes arriscando a própria vida, e merecendo uma gratidão perene. Também a Sé Apostólica desenvolveu uma ação de socorro, muitas vezes escondida e discreta.

A memória destes acontecimentos deve levar-nos a reforçar os laços que nos unem para que cresçam sempre mais a compreensão, o respeito e o acolhimento.

4. A nossa proximidade e fraternidade espiritual acham na Sagrada Bíblia – em hebraico Sifre Qodesh ou “Livros da Santidade” – o fundamento mais sólido e perene, no qual nos colocamos constantemente diante de nossas raízes comuns, à história e ao rico patrimônio espiritual que partilhamos. É perscrutando o seu próprio mistério que a Igreja, Povo de Deus da Nova Aliança, descobre a sua profunda ligação com os judeus, escolhidos pelo Senhor primeiramente entre todos para acolher sua palavra (cfr. Catecismo da Igreja Católica, 839). “Diferentemente das outras religiões não cristãs, a fé hebraica é já resposta à revelação de Deus na Antiga Aliança. Ao povo judeu pertencem “a adoção como filhos, a glória, as alianças, a legislação, o culto, as promessas, os patriarcas; deles provém Cristo segundo a carne’ (Rm 9,4-5) porque ‘os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis’ (Rm 11,29)” (Ibid.).

5. Numerosas podem ser as implicações que derivam da comum herança que vem da Lei e dos Profetas. Gostaria de recordar algumas: primeiramente, a solidariedade que liga a Igreja e o povo judeu “pela própria identidade” espiritual e que oferece aos cristãos a oportunidade de promover “um renovado respeito pela interpretação hebraica do Antigo Testamento” (cfr Pontifica Comissão Bíblica, O povo judeu e suas Sagradas Escrituras na Bíblia cristã, 2001, pp. 12 e 55); a centralidade do Decálogo como mensagem ética comum de valor perene para Israel, a Igreja, os que não crêem e a humanidade inteira; o compromisso por preparar e realizar o Reino do Altíssimo no “cuidado da criação” confiado por Deus ao homem para que a cultive e mantenha responsavelmente (cfr Gen 2,15).

6. Em particular o Decálogo – as "Dez Palavras" ou Dez Mandamentos (cf. Ex 20, 1-17; Dt 5, 1-21) – que provém da Torah de Moisés, constitui a chama da ética, da esperança e do diálogo, estrela polar da fé e da moral do povo de Deus, e ilumina e guia também o caminho dos cristãos. Ele constitui um farol e uma norma de vida na justiça e no amor, um "grande código" ético para toda a humanidade. As "Dez Palavras" jogam luz sobre o bem e sobre o mal, sobre o verdadeiro e o falso, sobre o justo e o injusto, também segundo os critérios da consciência reta de cada pessoa humana. Jesus muitas vezes o repetiu várias vezes, sublinhando que é necessário um compromisso operoso sobre o caminho dos Mandamentos: "Se queres entrar na vida, observa os Mandamentos" (MT 19, 17). Nesta perspectiva, são vários os campos de colaboração e de testemunho. Gostaria de recordar três particularmente importantes para o nosso tempo.

As "Dez Palavras" pedem para recordar o único Senhor, contra a tentação de se construir outros ídolos, de se fazer bois de ouro. Em nosso mundo muitos não conhecem Deus ou o consideram supérfluo, sem importância para a vida; foram fabricados assim outros e novos deuses diante dos quais os homens se inclinam. Despertar em nossa sociedade a abertura da dimensão transcendente, testemunhar o único Deus é um sérvio precioso que Judeus e Cristãos podem oferecer juntos.

As "Dez Palavras" pedem respeito, a proteção da vida contra injustiça e exploração, reconhecendo o valor de toda pessoa humana, criada segundo a imagem e semelhança de Deus. Quantas vezes, em toda parte da terra, próxima ou distante, são ainda violados a dignidade, a liberdade, os direitos do ser humano! Testemunhar juntos o valor supremo da vida contra todo egoísmo, é oferecer uma importante contribuição ao mundo no qual reine a justiça e a paz, o "shalom" desejado pelos legisladores, pelos profetas e pelos sábios de Israel.

"As "Dez Palavras" pedem para conservar e promover a santidade da família, onde o "sim" pessoal e recíproco, fiel e definitivo do homem e da mulher, abre o espaço para o futuro, para a autêntica humanidade de cada um, e se abre, ao mesmo tempo, ao dom de uma nova vida. Testemunhar que a família continua sendo a célula essencial da sociedade e o contexto de base onde se aprende e se exercita as virtudes humanas é um precioso serviço a ser oferecido para a construção de uma mundo que tenha um rosto mais humano.

7. Como ensina Moisés na Shemá – (cf. Dt 6,5; Lv 19, 34) e Jesus confirma no Evangelho (cf. Mc 12, 19-31) todos os mandamentos se resumem no amor de Deus e na misericórdia para com o próximo. Tais regras empenham os judeus e os cristãos a se exercitarem, em nosso tempo, numa generosidade especial para com próximo, com as mulheres, com as crianças, com os estrangeiros, com os doentes, com os fracos, com os necessitados. Na tradução hebraica existe um admirável ditado dos Padres de Israel: “Simão o Justo costumava dizer: O mundo se fundamenta sobre três coisas: a Torah, o culto e os atos de misericórdia” (aboth 1,2). Com o exercício da justiça e da misericórdia, Judeus e Cristãos são chamados a anunciar e a testemunhar o Reino do Altíssimo que vem, e pelo qual rezamos e trabalhamos cada dia com esperança.

8. Neste sentido podemos dar passos juntos, conscientes das diferenças que existem entre nós, mas também do fato que conseguiremos unir nossos corações e nossas mãos para responder à chamada do Senhor, sua luz se fará mais próxima para iluminar todos os povos da terra. Os passos realizados nestes quarenta anos da Comissão Internacional católico-judaica e, nos anos mais recentes, pela Comissão Mista da Santa Sé e do Grande Rabinato de Israel, são um sinal da vontade comum de continuar um diálogo aberto e sincero. Amanhã a Comissão Mista terá aqui em Roma o seu 9º encontro sobre “O ensinamento católico e judeu sobre a criação e o ambiente”; desejamos a seus componentes um profícuo diálogo sobre um tema tão importante e atual.

9. Cristãos e Judeus possuem uma grande parte comum de patrimônio espiritual, rezam ao mesmo Senhor, possuem as mesmas raízes, mas continuam desconhecidos reciprocamente um ao outro.Toca a nós, como resposta ao chamado de Deus, trabalhar para que permaneça sempre aberto o espaço para o diálogo, o respeito recíproco, o crescimento na amizade, o testemunho comum diante dos desafios de nosso tempo, que nos convidam a colaborar para o bem da Humanidade e deste mundo criado por Deus, o Onipotente e o Misericordioso.

10. Finalmente um pensamento especial para esta nossa cidade de Roma, onde há dois mil anos, convivem, como disse o Papa João Paulo II, a Comunidade Católica com seu bispo e a Comunidade Judaica com seu Rabino Chefe; este conviver possa ser animado por um crescente amor fraterno, que se exprima também em uma cooperação sempre mais estreita oferecendo uma contribuição válida na solução dos problemas e das dificuldades a enfrentar.

Invoco ao Senhor o dom precioso da paz em todo o mundo, sobretudo na Terra Santa. Em minha peregrinação em maio passado, em Jerusalém, junto ao Muro do Templo, pedi a Aquele que tudo pode: “envia tua paz à Terra Santa, no Oriente Médio, a toda a família humana; mova os corações daqueles que invocam o teu nome, para que percorram humildemente o caminho da justiça e da compaixão”. Novamente elevo a Ele o agradecimento e louvor por este nosso encontro, pedindo que Ele reforce nossa fraternidade e a torne mais sólida nossa relação.

“Nações todas, louvai ao Senhor,
povos todos, glorificai-o!
Pois seu amor por nós é forte,
e a fidelidade do Senhor dura para sempre,
Aleluia”

[Tradução: Rádio Vaticano]


Data da publicação: 18/01/2010 Voltar ao sumário da página


Papa pede mais facilidades para famílias jovens e numerosas

Ao receber as autoridades locais e regionais de Roma


Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 14 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).- O Papa Bento XVI pediu hoje às autoridades civis mais apoio concreto para as famílias jovens e as numerosas, ao receber os membros das administrações da Região do Lácio, da Província e da prefeitura de Roma.

Como é tradição, já que o Papa também é bispo de Roma e cabeça da província eclesiástica de Roma (território que coincide com a região do Lácio), Bento XVI recebeu em audiência as autoridades civis, para felicitá-las pelo ano novo.

Neste encontro anual, o Papa costuma aproveitar para tratar sobre problemas sociais de Roma. Desta vez, centrou sua atenção na família e na educação dos jovens, assim como nos doentes e na necessidade de um projeto urbanístico “pensado para a pessoa”.

Particularmente, elogiou a iniciativa levada a cabo por algumas paróquias e bairros novos para ajudar as famílias jovens com crianças pequenas, que frequentemente têm dificuldades para conciliar o trabalho e a vida familiar.

Estas comunidades eclesiais, “conscientes de que a abertura à vida está no centro do verdadeiro desenvolvimento humano, realizaram os ‘oratórios dos pequenos’. Estas úteis estruturas permitem que as crianças passem as horas do dia lá, enquanto seus pais trabalham”, explicou.

O Papa desejou que esta experiência e outras similares se estendessem a toda a cidade, para “ajudar os pais jovens em sua tarefa educativa”.

“Desejo também que possam ser adotados outros procedimentos a favor das famílias, em particular das numerosas, para que toda a cidade goze da função insubstituível desta instituição, primária e indispensável célula da sociedade”, acrescentou o Papa.

Também tratou sobre os jovens e sua educação. Hoje os jovens querem “saber quem é o homem e qual é o seu destino, e buscam respostas capazes de indicar-lhes o caminho a ser percorrido para fundar sua existência em valores perenes”.

Referindo-se à educação sexual dos jovens, insistiu em que “é necessário evitar propor aos adolescentes e aos jovens caminhos que favoreçam a banalização destas dimensões fundamentais da existência humana”.

O Papa convidou todos a compreenderem que, “ao pronunciar seu ‘não’, a Igreja na verdade diz ‘sim’ à vida, ao amor vivido na verdade do dom de si ao outro, ao amor que se abre à vida e que não se fecha em uma visão narcisista do casal”.

“Sobre estes temas, como também sobre os da família fundada no matrimônio e sobre o respeito à vida da concepção até seu término natural, a comunidade eclesial não pode deixar de ser fiel à verdade”, acrescentou.


Data da publicação: 15/01/2010 Voltar ao sumário da página


Raízes da degradação ambiental são de ordem moral, afirma Papa

Ocidente deve adotar laicidade positiva


Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 11 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).- O Papa pediu hoje um reconhecimento da contribuição que as religiões oferecem à paz e ao respeito da criação, através de uma laicidade positiva, especialmente no Ocidente.

Assim afirmou hoje, em seu discurso ao Corpo Diplomático da Santa Sé, durante a tradicional audiência que se realiza no início de cada ano, durante a qual o Papa se refere à situação mundial.

Nesta ocasião, o pontífice quis dedicar sua intervenção à questão da proteção do meio ambiente como condição indispensável para a paz do mundo.

As raízes da degradação ambiental “são de ordem moral e a questão deve ser enfrentada no quadro de um grande esforço de educação, para promover uma real mudança das mentalidades e estabelecer novos modos de vida”.

Neste sentido, afirmou que “a comunidade dos crentes pode e quer participar nisso, mas, para fazê-lo, precisa que o seu papel público seja reconhecido”.

O Papa lamentou que “em certos países, sobretudo ocidentais, difundiu-se nos meios políticos e culturais, bem como nos mass media, um sentimento de pouca consideração e por vezes de hostilidade, para não dizer menosprezo, para com a religião, particularmente a religião cristã”.

“É claro que, se se considera o relativismo como um elemento constitutivo essencial da democracia, corre-se o risco de conceber a laicidade apenas em termos de exclusão ou, mais exatamente, de recusa da importância social do fato religioso”, observou.

Segundo Bento XVI, esta forma de conceber a sociedade “gera confronto e divisão, prejudica a paz, perturba a ecologia humana e, rejeitando por princípio atitudes diversas da sua, torna-se uma estrada sem saída”.

Indicou, portanto a urgência de “definir uma laicidade positiva, aberta, que, fundada sobre uma justa autonomia da ordem temporal e da ordem espiritual, favoreça uma sã cooperação e um espírito de responsabilidade compartilhada”.

Neste sentido, mostrou sua satisfação pelo Tratado de Lisboa, atualmente em fase de retificação, porque em seu artigo 17 afirma que a União Europeia manterá com as igrejas “um diálogo aberto, transparente e regular”.

O Papa desejou que “a Europa, na construção do seu futuro, saiba sempre beber nas fontes da sua própria identidade cristã”.

“Como afirmei no passado mês de setembro, durante a minha viagem apostólica pela República Checa, tal identidade tem um papel insubstituível na formação da consciência de cada geração e na promoção de um consenso ético de base que é útil para todas as pessoas que chamam a este continente ‘minha casa’.”

Neste sentido, opinou que, com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, a Europa “abriu uma nova fase do seu processo de integração”, processo que a Santa Sé “acompanhará com respeito e cordial atenção”.

Sem Deus, não há respeito à criação


“A Igreja está aberta a todos, porque, em Deus, existe para os outros. Por isso compartilha intensamente a sorte da humanidade”, sublinhou o Papa.

Referindo-se à atual crise econômica, destacou que as causas são de ordem moral e que é preciso buscá-las na vigente “mentalidade egoísta e materialista corrente, esquecida dos limites inerentes a toda a criatura”.

“Hoje queria sublinhar que esta mentalidade ameaça igualmente a criação.”

Deu como exemplo o caso do Leste Europeu, onde os regimes comunistas ateus provocaram, entre outras coisas, graves danos ao meio ambiente. “Quando caiu o muro de Berlim e quando desabaram os regimes materialistas e ateus que durante vários decênios tinham dominado uma parte deste continente, não se pôde porventura medir as feridas profundas que um sistema econômico sem referências assentes na verdade do homem infligira não só à dignidade e liberdade das pessoas e dos povos, mas também à natureza, com a poluição do solo, das águas e do ar?”, inquiriu.

“A negação de Deus – acrescentou o Papa – desfigura a liberdade da pessoa humana, mas devasta também a criação.”

Neste sentido, concluiu que a proteção da criação “não visa tanto responder a uma exigência estética, mas sobretudo a uma exigência moral, porque a natureza exprime um desígnio de amor e de verdade que nos precede e que vem de Deus”.


Data da publicação: 13/01/2010 Voltar ao sumário da página


Bento XVI recebe e perdoa a mulher que o fez cair durante a Missa do Galo

VATICANO, 13 Jan. 10 (ACI) .- O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, deu a conhecer que depois da Audiência Geral de hoje, o Papa Bento XVI recebeu Susana Maiolo, a Suíça que provocou sua queda no passado 24 de novembro na Basílica de São Pedro antes da Missa do Galo, a quem expressou seu perdão.

O encontro, explica o Pe. Lombardi, realizou-se na sala junto à Sala Paulo VI. "A senhorita Maiolo –diz a declaração– expressou ao Santo Padre seu pesar por quanto aconteceu ao início da celebração da noite de Natal".

"Por sua parte –indica o texto– o Papa quis manifestar-lhe seu perdão, assim como seu cordial interesse e melhores desejos por sua saúde".

A declaração do Pe. Lombardi conclui indicando que "no que diz respeito à instrutiva iniciada pela magistratura do Estado da Cidade do Vaticano, esta continuará seu processo até sua finalização".


Data da publicação: 14/01/2010
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Só os Santos transformam a Igreja e a sociedade, recorda o Papa Bento XVI

VATICANO, 13 Jan. 10 (ACI) .- Em meio de uma jornada dominada pela dor pelo terremoto que golpeou o Haiti, para quem o Papa Bento XVI pediu urgentemente a ajuda da comunidade internacional, o Santo Padre dedicou a Audiência Geral de hoje às ordens mendicantes do século XIII, dominicanos e franciscanos, e explicou que solo os Santos, guiados Por Deus são "os autênticos reformadores da vida da Igreja e da sociedade".

Em sua habitual catequese na Sala Paulo VI e perante umas nove mil pessoas, o Pontífice se referiu às ordens fundadas por São Francisco de Assis e São Domingo de Gusmão, assinalando os que alcançam a santidade, como estes dois grandes fundadores, convertem-se em "mestres com a palavra e testemunhas com o exemplo, promovem uma renovação eclesiástica estável e profunda".

Santos como Francisco de Assis e Domingo de Gusmão "foram capazes ler com inteligência os "sinais dos tempos", intuindo os desafios que a Igreja daquela época deveria enfrentar, como o aparecimento de grupos radicais que se afastavam da verdadeira doutrina cristã; o aumento das populações urbanas sedentas de uma intensa vida espiritual; e a transformação cultural que eclodia a partir das Universidades". Um destes desafios era "a expansão de vários grupos e movimentos de fiéis que, embora inspirados por um desejo legítimo de vida cristã autêntica, colocavam-se freqüentemente fora da comunhão eclesiástica".

Entre estes grupos, disse o Papa, estavam os cátaros ou albigenses, que re-propuseram antigas heresias como "o desprezo do mundo material, a negação da livre vontade e a existência de um princípio do mal equiparável a Deus".

Movimentos como aqueles tiveram êxito, "não só por sua sólida organização, mas também porque denunciavam uma desordem real na Igreja, causado pelo comportamento pouco exemplar de diversos representantes do clero", acrescentou Bento XVI

Entretanto, os franciscanos e os dominicanos "demonstraram que era possível viver a pobreza evangélica sem separar-se da Igreja", renunciando não somente à posse de bens materiais, mas também rechaçando que a comunidade fosse proprietária de terrenos e bens imóveis, testemunhando assim "uma vida extremamente sóbria para ser solidários com os pobres e confiar apenas na Providência".

O estilo pessoal e comunitário das ordens mendicantes, "somado à adesão total ao ensino da Igreja e à sua autoridade foi muito apreciado pelos pontífices da época, que ofereceram seu pleno apoio a essas novas experiências eclesiásticas, reconhecendo nelas a voz do Espírito".

"Também hoje, inclusive vivendo em uma sociedade em que prevalece o ter sobre o ser, somos muito sensíveis aos exemplos de pobreza e solidariedade", observou Bento XVI, recordando que Paulo VI afirmava que "o mundo escuta com agrado aos mestres quando também há testemunhas. Esta é uma lição que não deverá ser esquecida jamais na obra de difusão do Evangelho: viver em primeira pessoa o que se anuncia, ser espelho da caridade divina".

Do mesmo modo, as ordens responderam à exigência muito difundida em sua época da instrução religiosa, pregando e tratando "temas muito próximos à vida da gente, sobre tudo a prática das virtudes teologais e morais, com exemplos concretos, facilmente compreensíveis".

Dada sua importância, estas ordens mendicantes promoveram instituições leigas como os grêmios ou as autoridades civis as consultavam freqüentemente. Os franciscanos e dominicanos foram assim "os animadores espirituais da cidade medieval" e "puseram em marcha uma estratégia pastoral adequada às transformações da sociedade". Em um tempo em que as cidades cresciam, construíram seus conventos em zonas urbanas e viajaram de um lugar a outro, "abandonando o princípio de estabilidade que tinha caracterizado a vida monástica durante séculos".

Outra grande provocação eram "as transformações culturais", que tornavam muito vivaz a discussão nas universidades. Daí que os frades "entrassem nos ateneus mais famosos como estudantes e professores, erigissem centros de estudo e incidissem significativamente no desenvolvimento do pensamento".

Ao falar das chamadas "terceiras ordens" dependentes dos franciscanos e dominicanos, onde se reuniam os leigos, o Santo Padre disse que "a proposta de uma 'santidade leiga' conquistou muitas pessoas. Como recordou o Concílio Ecumênico Vaticano II, a chamada à santidade não está reservada a alguns, mas é universal. Em todos os estados de vida, seguindo as exigências de cada um deles, encontra-se a possibilidade de viver o Evangelho. Também hoje todo cristão deve ter a 'medida alta da vida cristã' em qualquer estado de vida ao que pertença!".

"Hoje, vivendo em uma sociedade em que com freqüência prevalece o 'ter' sobre o 'ser', somos muito sensível aos exemplos de pobreza e solidariedade, que os fiéis oferecem com opções valentes. Também hoje não faltam iniciativas similares: os movimentos, que partem realmente da novidade do Evangelho e o vivem com radicalidade no hoje, ficando nas mãos de Deus, para servir ao próximo. Esta é uma lição para não esquecer nunca na obra da difusão do Evangelho, viver pessoalmente o que se anuncia, ser espelho da caridade divina".

Ao finalizar sua catequese, Bento XVI ressaltou que "hoje também há uma "caridade da verdade e na verdade": "uma "caridade intelectual" para iluminar as inteligências e conjugar a fé com a cultura".

"A tarefa dos franciscanos e dominicanos nas universidades medievais é um convite a estar presentes nos lugares de elaboração do saber para propor, com respeito e convicção, a luz do Evangelho sobre as questões fundamentais que correspondem ao ser humano, a sua dignidade e o seu destino eterno", concluiu o Papa Bento.


Data da publicação: 14/01/2010
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Fonte:

Editora Cleofas


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