Muito se tem abordado nos últimos anos a questão da necessidade do ser humano despertar para uma visão de maior dependência entre tudo aquilo que é criado e que dispomos como bens da criação. No entanto, parece-me que são vozes que “clamam no deserto”, isto é, anseiam por encontrar ouvidos e corações que as ouçam e estejam na disposição de ao menos refletir sobre aquilo que dizem.
A Campanha da Fraternidade deste ano trará para nós o tema sobre economia e vida. Ou a humanidade coloca mais prioridade naquilo que garantirá vida para todos os povos, como justiça social, promoção de verdadeira paz (paz desarmada), cuidado para com a vida em todas as suas fases, ou estaremos aos poucos nos arruinando enquanto humanidade. O que temos visto ultimamente é a defesa de interesses particulares de homens ou instituições que defendem a manutenção de seu status e altos níveis de produção que tantas vezes contribuem para depredação dos bens naturais e pouco ou nada colaboram para a diminuição das desigualdades sociais.
O tema da Campanha da Fraternidade deste ano, dentre outros propósitos, quer, como sempre, refletir que a vida é o bem maior e todas as outras coisas devem ser usadas para a proteção e manutenção desta. Quando voltamos nosso coração para o Deus da vida, aprendemos que as coisas por Ele criadas tem uma dimensão sagrada e que não devem ser usadas a bel prazer para o lucro e enriquecimento de poucos, mas para o contentamento de todos.
Quando colocamos o lucro, o dinheiro, o capital como um deus, invertemos nossos valores e todas as coisas até então para nós “sagradas”, são descaracterizadas do significado sagrado e passam a servir para o enriquecimento. O ser humano e as coisas criadas por Deus não devem servir ao “deus dinheiro”, mas este, como um bem de troca, deve servir para que o ser humano alcance mais facilmente os bens necessários para a dignidade da vida.
São Francisco de Assis possuía muita prudência em relação ao uso do dinheiro pois sabia do caráter fascinante que este possui e consequentemente, o poder de subverter as relações, fazendo de uns patrões e outros escravos, uns privilegiados e outros miseráveis.
Assim, a Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, em suas Paróquias e Santuários, estará em consonância com toda a Igreja do Brasil que viverá este momento importante da Campanha que, acontece no tempo da Quaresma, mas que deverá estender-se ao longo do ano de 2010, colaborando, com reflexões , palestras, retiros e demais possíveis campanhas para que as pessoas percebam a importância de voltar o coração para o Deus da vida e ficarem cada vez mais atentas aquele que pode roubar o coração.
Por Frei Valdecir Schwambach, ofm
Texto extraído de entrevista concedida à Vinícius Rossi /Revista Vitória
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