"Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz!"
Em maio - 7 - 2010

Pe. Demétrio Gomeshttp://www.padredemetrio.com.br/2010/04/ditadura-do-conformismo/

O Santo Padre, em recente homilia dirigida para a Pontifícia Comissão Bíblica, recorda a importância de uma palavra – e tudo o que ela implica – politicamente incorreta para ser mencionada em nossas pregações atuais: a penitência.

No entanto, queria destacar do texto outro tema: um diagnóstico que o Santo Padre faz de uma nova ditadura que vem apresentando-se na sociedade. Depois da denúncia da chamada “ditadura do relativismo”, que quer impor-nos a consideração da não existência de uma verdade absoluta, mas de verdades que se nos impõem através de um consenso subjetivista, agora chama a atenção para a “ditadura do conformismo”, que pretende que pensemos e nos comportemos como a maioria:

[Fiz algumas modificações com base no texto espanhol, porque a pontuação do texto torna quase ininteligível alguns trechos da versão portuguesa da Rádio Vaticana]

As ditaduras estiveram sempre contra esta obediência a Deus.

Para os cristãos, obedecer antes a Deus do que aos homens supõe, no entanto, conhecer verdadeiramente a Deus e querer verdadeiramente obedecer, e que Deus não seja pretexto para a própria vontade, mas seja realmente Deus quem convida, em caso necessário, também ao martírio.

A ditadura nazista, assim como aquela marxista, não podem aceitar um Deus acima do poder ideológico e a liberdade dos mártires que reconhecem Deus é sempre o ato da libertação, no qual chega a liberdade de Cristo a nós.

Hoje, graças a Deus não vivemos em ditadura, mas existem formas sutis de ditaduras.

Um conformismo pelo qual se torna obrigatório pensar como pensam todos, agir como agem todos, e a sutil agressão contra a Igreja, ou também menos sutil, mostram como este conformismo pode realmente ser uma verdadeira ditadura.

Como bem afirmou um amigo, “o mundo está se tornando um imenso rebanho ovino”. Prega-se tanto o respeito às diferenças, a liberdade de expressão, o fim da discriminação, mas se tole a liberdade daqueles que não pensam com a massa, e se exclui os que são “diferentes”.

E os cristãos, que “devemos obedecer antes a Deus do que aos homens”, inevitavelmente entraremos em choque com esta mentalidade que se nos impõe.

Mal sinal para nós, se “caímos bem” a todos. Mal sinal se deixamos que essa velada ditadura se imponha sobre nós, e passemos a aceitar pacificamente o inaceitável.

Os mártires bem entenderam isso…

Data da publicação: 20/04/2010

© Editora Cléofas – Prof. Felipe Aquino

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