"Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz!"
Em julho - 28 - 2010

Quem puder siga com inteligência o pensamento do apóstolo São Paulo, quando diz: “o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado” (Rm 5, 5) e nos instrui sobre as realidades espirituais, mostra-nos o “excelso caminho” da caridade, e dobra o joelho diante de Deus por nossa causa, a fim de “conhecermos o amor de Cristo que excede a todo conhecimento” (Ef 3, 19). Por isso “pairava sobre as águas” (Gn 1, 2) aquele que desde o início era soberano.

A quem falarei, e como, sob o peso da concupiscência que nos arrasta ao fundo do abismo? Como falar da caridade que eleva graças ao Espírito de Deus, o qual “pairava sobre as águas”? A quem falar? Como falar? Não se trata de lugares materiais, onde submergimos e de onde emergimos. Que há de mais semelhante e ao mesmo tempo menos semelhante a isso?

Por um lado, são nossos afetos e sentimentos, a impureza de nosso espírito a deixar-se arrastar para baixo, por amor às preocupações. E, por outro lado, a santidade do Espírito do Pai, que nos eleva por amor à tranqüilidade, a fim de que tenhamos os corações no alto, perto de Deus, onde o Espírito paira sobre as águas, e assim cheguemos ao sublime repouso, depois de nossa alma ter atravessado as águas que não tem substância.

Quanta turbulência no abismo profundo das águas de nossa existência. O que seria das criaturas se Deus não tivesse dito: “faça-se a luz” (Gn 1, 3) e a luz não tivesse sido feita? Onde estariam as criaturas se não fossem unidas todas as inteligências da “cidade celeste” pela obediência a Deus e repousassem no seu Espírito? Como nós, cercados por nossas fraquezas e falta de fé, poderíamos esperar alcançar este repouso sublime no Espírito?

Somente a graça de Deus e o amor criador que fez tudo pela Palavra, nascida da vontade soberana do Pai, pode nos dar esse repouso, pois somos envolvidos, não mais pelas trevas do abismo, mas pela luz que vem do Espírito e que envolve toda a criação.

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Referências:

Santo Agostinho, Confissões (Livro XIII – Meditação Sobre os Significados Alegóricos da Criação).

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