"Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz!"
Em agosto - 1 - 2010

“Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder da Sua ressurreição, pela participação em Seus sofrimentos, tornando-me semelhantes a Ele na morte.”(Fl 3,10).

São Paulo Apóstolo nos mostra que devemos orar, pedindo pela liberação de nossos sofrimentos para sermos livres e vivenciarmos os sofrimentos de Jesus Cristo. Nós devemos orar por cura, libertação, vitória e paz para que sejam removidos de nós todos os sofrimentos que não sejam da vontade de Deus, de modo a nos preparar para aceitar aqueles que o sejam. Em resumo, após orarmos pedindo pela libertação de nossos sofrimentos, nós devemos orar pedindo para participar dos sofrimentos de Jesus Cristo e para nos tornar semelhantes a Ele na morte (Fl 3, 10). Uma oração assim, como se pode imaginar é raramente feita pelas pessoas. Somente aqueles e aquelas que são desapegados de si e têm profundo amor a Jesus se dispõe a fazê-la.

Todos nós, cristãos, deveríamos considerar Jesus muito mais importante que os prazeres e as benesses da vida e proclamar que preferimos sofrer com Ele a ter uma vida boa sem Ele. Como São Paulo, cada um deveria orar assim: “Julgo como perda todas as coisas em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor. Por Ele, tudo desprezei, e tenho em conta de esterco, a fim de ganhar a Cristo, e estar com Ele” (Fl 3,8-9). Portanto, “alegrai-vos em ser participantes do sofrimento de Cristo, para que vos possais alegrar e exultar no dia em que for manifestada Sua glória” (1 Pd 4,13).

APRENDENDO A SOFRER

“E o entregarão aos pagãos, para ser exposto às suas zombarias, açoitado e crucificado; mas, ao terceiro dia, ressuscitará.” (MT 20,19)

O versículo acima nos fala sobre sofrimento e dor. Isso é desagradável, mas necessário, pois estão presentes em nossas vidas, assim como estiveram presentes na de Nosso Senhor Jesus Cristo. O importante é sabermos como lidar com essas realidades; e o nosso auxilio vem da própria Palavra de Deus, através de algumas passagens:

Algumas pessoas tentam fugir dos sofrimentos, e negam o fato de que esses são partes inevitáveis da vida. Isso, além de torná-los ainda maiores, impedem-nas de edificarem a Igreja, o próprio corpo de Cristo (Cl 1,24).

Outras, ainda, resistem aos seus sofrimentos, como o fez o próprio profeta Jeremias, reagindo contra aqueles que os causaram (Jr 18,19-21). Essa reação pode até vir a ter sucesso e servir para que os causadores tomem consciência de seus atos e venham a se arrepender, mas ela não é recomendável, pois geralmente é pecaminosa e vingativa. De mais a mais, devemos nos lembrar de que nossas batalhas não devem ser contra pessoas, mas “contra as forças espirituais do mal” (Ef 6,12).

Há aqueles que reagem aos sofrimentos procurando removê-los nas suas origens. Essa reação é altamente positiva, e Jesus demonstrou isso muitas vezes quando curou os doentes. Assim, resistimos ao sofrimento, e o curamos quando nos preocupamos com nosso próximo, porque o ajudamos a curar-se dos seus próprios sofrimentos.

Finalmente, há a reação vinda do maior exemplo de Jesus: a aceitação serena de Seus sofrimentos e de Sua morte na cruz por amor a todos nós, pecadores. Dessa forma, Jesus mostrou que podemos transformar sofrimentos terríveis em sofrimentos redentores e torná-los as mais poderosas expressões de amor possíveis (Mt 20,18). Essa, sim, é a reação correta!

O grande bispo e Doutor da Igreja Santo Agostinho em suas Confissões afirmou: “o ser humano aprende do sofrimento, mas muito mais do amor”.

A BELEZA PERMANECE E A DOR TERMINA

Desde jovem, o pintor francês Henri Matisse costumava visitar semanalmente o seu colega, o renomado pintor Pierre-Auguste Renoir em seu ateliê.
Quando Renoir foi atacado pela artrite, Matisse passou a fazer visitas diárias, levando alimentos, pincéis, tintas, mas sempre procurando convencer o mestre de que ele trabalhava demais. Precisava descansar um pouco. Certo dia, notando que cada pincelada fazia com que Renoir gemesse de dor, Matisse não se conteve:

- Grande mestre, sua obra já é vasta e importante. Por que continuar se torturando dessa maneira?

- Muito simples. A beleza permanece; a dor termina passando.

“Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, porque passou o que havia antes”.
Aquele que está sentado no trono disse: “Eis que faço novas todas às coisas”. (Ap 21, 4.5).
Temos a fé, a graça e a esperança para aguardar as firmes e poderosas promessas do bom Deus.
Vivemos no consolo das eternas revelações do todo – Poderoso. Já gozamos as alegrias do Céu.

Pe. Inácio José do Vale
Professar de História da Igreja
Pregador de Retiros Espirituais
E-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com

Data da publicação: 27/07/2010

© Editora Cléofas – Prof. Felipe Aquino

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