"Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz!"
Em agosto - 18 - 2010

“Quem poderá compreender a Trindade onipotente? E quem não fala dela ainda que não compreenda? É rara a pessoa que, ao falar da Santíssima Trindade, saiba o que diz. Discute-se, debate-se, mas ninguém é capaz de contemplar essa visão, sem paz interior. Quisera meditassem os homens sobre três coisas que têm dentro de si mesmos, as três bem diferentes da Trindade. Indico-as para que se exercitem, e assim experimentem e sintam quão longe estão deste mistério. Aludo à existência, ao conhecimento e à vontade. De fato existo, conheço e quero. Existo, sabendo e querendo; sei que existo e quero; quero existir e conhecer. Repare, quem puder, como é inseparável a vida nessas três faculdades: uma só vida, uma só inteligência, uma só essência. Como são inseparáveis os objetos dessa distinção. Distinção, no entanto, que existe! Cada uma delas diante de si mesmos. Estude-se, veja e responda-me. Contudo, mesmo que reflita e me responda, não julgue ter compreendido a essência desse Ser imutável que está acima de todas as criaturas, o Ser que imutavelmente existe, imutavelmente sabe e imutavelmente quer. Será, porventura, graças a essas três faculdades que há em Deus a Trindade, ou essa tríplice faculdade existe em cada uma das três Pessoas, de modo a serem três em cada uma? Ou ambas as coisas se realizam de modo admirável, numa simplicidade múltipla, sendo a Trindade o seu próprio fim infinito, pela qual existe, se conhece e se basta imutavelmente, na grande abundância de sua Unidade? Quem poderia exprimir facilmente esse conceito? Quem teria palavras para exprimi-lo? Quem, de algum modo, ousaria pronunciar-se temerariamente a esse respeito?”

S. Agostinho, em suas “Confissões” escreveu essas palavras no início do século V e ainda hoje são válidas, pois quem teria palavras para exprimir o mistério da Trindade? Quem ousaria pronunciar-se? Esses dias, no entanto, e sem querer chegar a uma conclusão, ouvi alguém tentar expressar a sua compreensão sobre esse mistério que, como diz S. Agostinho, “seria temerário pronunciar-se a esse respeito”, pelo menos de maneira conclusiva, mas, ainda que raro, há quem consiga, como o próprio santo, saber o que diz quando se refere à Santíssima Trindade.

Então, vejam que imagem interessante e que vale à pena refletir:

“A Trindade se assemelha ao mar, que não se pode compreender nem se pode ver o tamanho, aí está o Pai; mas ao entrarmos e nos molharmos em suas águas infinitas podemos sentir sua presença física, palpável, aí está o Filho; e o frescor, a sensação que a água nos traz, é justamente nela que está o Espírito Santo. E assim, sem deixar de ser um, o mar também não deixa de ser três.”

Então, mergulhemos nesse Mar, sem procurar compreender sua extensão, mas sentindo sua Água e aproveitando o Frescor que ela nos oferece.

Francisco Herbet Bezerra de Menezes.

Equipe do Site

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